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Economia

As gigantes de tecnologia esfriam seu salto à bolsa ante debate sobre regulação da IA

OpenAI adia oferta pública de ações e preocupações com segurança ganham força no setor

17/09/2026 10:45 4 min lectura 376 visualizações

As esperadas saídas à bolsa das grandes empresas de inteligência artificial (IA) enfrentam novas dúvidas depois que OpenAI descartou sair ao mercado este ano, em um contexto marcado pelos chamados a regular a tecnologia e o escrutínio sobre as elevadas valorações e custos do setor.

O próximo grande teste para Wall Street será Anthropic, rival da OpenAI e criadora do modelo Claude, que apresentou confidencialmente em junho ante a Comissão de Bolsa e Valores dos Estados Unidos (SEC) a documentação para uma eventual saída à bolsa.

A companhia espera lançar a oferta a meados de outubro no mínimo, depois de atrasar a publicação de seu prospecto até fins de setembro, em uma operação que busca captar até 100.000 milhões de dólares com uma valoração total de cerca de 2 trilhões, segundo informou em agosto o Wall Street Journal (WSJ).

De acordo com o meio Axios, Anthropic prevê cotizar na Nasdaq, com uma possível saída em outubro.

Se se concretizar, esta operação colocará à prova até que ponto os investidores estão dispostos a trasladar ao mercado as enormes valorações que as companhias de IA alcançaram em privado, destacam os especialistas.

"A pergunta agora não é se estamos diante de uma bolha, mas quanto valor será capaz de criar a IA"
, aponta Kim Posnett, de Goldman Sachs, que define o momento como um "superciclo de investimento" com possíveis "excessos especulativos".

Enquanto isso, o professor de Finanças da Universidade de Nova York Aswath Damodaran considera que "é muito difícil atribuir um valor a um mercado que ainda não existe" e questiona estimativas tão elevadas quanto as que cita o WSJ.

Além disso, ao seguir sendo privadas, estas companhias não estão sujeitas ao mesmo nível de transparência financeira que as empresas cotizadas, o que dificulta ainda mais avaliar suas contas atuais e suas perspectivas.

Mais capacidades, mais riscos e mais custos. Por sua vez, OpenAI descartou sair à bolsa este ano, conforme avançou no sábado passado seu diretor executivo, Sam Altman, que vinculou o adiamento às recentes preocupações sobre a segurança da IA, apontando 2027 como possível novo horizonte.

Altman respalda além disso o pedido de reduzir o ritmo de desenvolvimento dos modelos mais avançados, formulado por Dario Amodei, cofundador e diretor executivo de Anthropic, que reclamou que a indústria dê tempo para que as medidas de segurança alcancem o ritmo de avanço da tecnologia.

Além das preocupações sobre as capacidades que possam alcançar os modelos mais avançados, seu desenvolvimento coloca uma questão financeira, já que exige investimentos de bilhões em centros de dados, chips e eletricidade e aumenta as dúvidas sobre se esse enorme gasto acabará gerando lucros.

Joachim Klement, analista de Panmure Liberum, aponta que as quedas registradas esta semana pela Nvidia, um dos grandes protagonistas da acelerada expansão da IA, e outros fabricantes são "uma pequena amostra" do que sucederia se terminasse o atual ciclo de gasto em IA.

Por sua parte, Lisa Shalett, de Morgan Stanley, garante em um relatório que "os mercados querem mais provas de que o enorme gasto de capital em IA dará seus frutos" em lugar de "simplesmente receber manchetes sobre novos investimentos".

A incerteza regulatória, segundo Libby Cantrill, responsável de Políticas Públicas da gestora de fundos PIMCO, que considera pouco provável uma regulação federal estadunidense a curto prazo, mas sim maior intervenção dos estados, especialmente sobre os centros de dados.

Segundo sua análise, cidades de 32 estados dos EUA avançaram em direção a moratórias e até 26 estados estudam restrições, medidas que podem elevar em 2027 os custos de construção e causar atrasos em projetos de infraestrutura de IA, encarecendo o capital necessário para o desenvolvimento do setor.

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.

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