"Estamos perdendo o controle", sentencia o "padrinho da IA"
O informático canadense Yoshua Bengio, considerado um dos fundadores da inteligência artificial, disse à AFP que o ser humano está "perdendo o controle" dessa tecnologia e que é necessário adotar medidas de segurança similares às tomadas com armamento nuclear.
Os temores que despertam essa tecnologia aumentaram nos últimos dias após vários trabalhadores de grandes desenvolvedoras de modelos de IA abandonarem o setor pela ameaça à vida humana que representa o ritmo em que a inteligência artificial avança.
"Há uma razão pela qual essas empresas dizem que isso vai muito rápido, que estamos perdendo o controle", afirmou Bengio, que ganhou o Prêmio Turing de 2018, conhecido como o Nobel da informática, junto ao "padrinho da IA", Geoffrey Hinton.
"Pessoas como eu estão esperando por isso há muito tempo", declarou na terça-feira passada à AFP esse professor de 62 anos, que admitiu que os debates sobre os perigos da IA não têm sido suficientemente rigorosos.
O mundo entrou em convulsão quando a OpenAI revelou que um enxame de agentes de IA (programas capazes de agir por conta própria) havia se introduzido sem autorização na plataforma de código aberto Hugging Face em julho.
Essa ação autônoma é uma das principais ameaças, afirmou Bengio, já que no futuro esses agentes de IA podem ter "a capacidade de contornar as barreiras de cibersegurança e entrar em qualquer empresa".
Bengio alertou à AFP que as pessoas devem estar conscientes dos riscos que se aproximam.
Os agentes de IA poderiam desenvolver "a capacidade de estabelecer uma conexão individual e persuadir os seres humanos para que atuem de formas que lhes convêm, mas que não são necessariamente boas para todos nós", afirmou.
"Pode ser que a IA já nem mesmo precise dos seres humanos para realizar tarefas concretas no mundo físico", acrescentou.
Um extremo poderia ser a destruição da humanidade", advertiu, embora sem alcançar esse "extremo", "o colapso do sistema bancário seguiria sendo algo muito, muito grave".
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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