IPS analisa leilão de imóveis para melhorar suas finanças
Instituto estuda venda de patrimônio improductivo avaliado em G. 1,9 trilhões
O presidente do Instituto de Previsão Social (IPS), Derlis León, confirmou que a instituição estuda utilizar a leilão pública como mecanismo para se desfazer de parte de seu patrimônio imobiliário improductivo.
O regulamento que permitiria avançar com a alienação foi elaborado pela Superintendência de Jubilações e Pensões e agora será analisado pela previsional. O inventário titulado alcança 776 imóveis, avaliados em aproximadamente G. 1,9 trilhões.
O Instituto de Previsão Social (IPS) analisa abrir um processo de leilão público de imóveis improductivos como uma alternativa para gerar recursos e dar "oxigênio" às finanças da instituição, segundo anunciou seu presidente, Derlis León, em uma entrevista com a rádio Monumental.
León explicou que existe desde 2023 um marco que permite avançar com a venda de propriedades do IPS, mas que faltava a regulamentação correspondente. Segundo apontou, a Superintendência de Jubilações e Pensões já elaborou essa regulamentação e agora deverá ser estudada pela administração do instituto.
"A lei já de 2023 que nos permite vender as propriedades, mas não está regulamentada. Entendo que a Superintendência de Jubilações chegou a essa regulamentação. Agora vamos submeter a estudos e é uma possibilidade real sob leilão público, eventualmente nas condições que convierem à instituição. Esse é um caminho verdadeiro", afirmou León.
O eventual leilão colocaria em movimento um patrimônio imobiliário que foi se acumulando durante décadas. O IPS tinha originalmente cerca de 126 imóveis em 1992, mas o número cresceu de maneira exponencial após a crise bancária de 1995.
Com o colapso de entidades financeiras, parte das dívidas que mantinham os bancos com a previsional foram canceladas mediante a entrega de propriedades. Assim, o patrimônio imobiliário do IPS passou a superar os 1.500 imóveis, muitos deles considerados improductivos e com custos de conservação para a instituição.
Atualmente, o inventário titulado compreende 776 imóveis, cujo valor estimado ronda os G. 1,9 trilhões, aproximadamente USD 304 milhões. Dentro desse universo se encontram as propriedades que poderiam ser destinadas a processos de leilão público.
A situação das propriedades do IPS no Chaco expõe a complexidade de administrar este patrimônio. O ex-titular da previsional e atual ministro da Saúde, Isaías Fretes, informou ante o Conselho de Administração que concluiu um levantamento das terras da instituição, um trabalho que durante anos não havia sido realizado.
Fretes afirmou que a operação detectou "irregularidades produto da negligência" e pediu a León que conheça pessoalmente o território e adote medidas. "Terminaram a auditoria e o trabalho das estâncias do Chaco. Foi um trabalho enorme, com toque militar, porque foi silencioso", apontou Fretes durante sua intervenção ante o Conselho.
O levantamento envolveu militares, topógrafos e outras instituições. Segundo explicou o ex-presidente do IPS, as tarefas abrangeram um território de aproximadamente 54.000 km², com apoio do Ministério do Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Mades), que facilitou drones para o trabalho de campo.
O patrimônio imobiliário do IPS no Chaco é estimado entre 205.000 e 208.000 hectares, principalmente na zona de Teniente Ochoa, distrito de Mariscal Estigarribia, Boquerón.
Durante anos, sobre essas terras existiram questionamentos relacionados à falta de avaliações atualizadas, o controle efetivo dos imóveis, sua ocupação e a rentabilidade que geram. Parte das propriedades se encontram além disso sob contratos de arrendamento de entre 15 e 30 anos.
Os antecedentes incluem contratos com cânones relativamente baixos por hectare. Por exemplo, Agropecuária MR5 SA explora 30.558 hectares e paga G. 627 por hectare ao mês, enquanto que La Peregrina Agroganadera SA paga G. 675 por hectare.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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