As denúncias pela falta de proteção às mulheres na Argentina após o brutal assassinato de Agostina Vega
"Pode economizar o cinismo! Pare um pouco, porque é uma palhaçada o que está fazendo! Estamos falando de uma menina de 14 anos assassinada em um caso de feminicídio, poderia ser um pouco menos cínico?!"
A indignação da jornalista Laura Vilches aumentava no dia 30 de maio durante a coletiva de imprensa em que o promotor argentino Raúl Garzón oferecia detalhes sobre o assassinato de Agostina Vega.
Nesse mesmo dia havia aparecido o corpo desmembrado da adolescente, encontrado pela polícia em um terreno baldio nas imediações da cidade argentina de Córdoba.
Agostina desapareceu no sábado 23 de maio, mas a polícia só começou a procurá-la na quarta-feira 27. Até então, e apesar das súplicas da família, assumiu que a menina tinha ido "com um namoradinho".
O que transbordou a paciência de Vilches foi quando o promotor, após afirmar que não tinha nenhuma autocrítica a fazer, elogiou o trabalho do cão policial que encontrou os restos.
A jornalista se manifestou, confrontou o promotor, e o vídeo de sua indignação se tornou viral nas redes sociais.
"Acho que expressava a raiva que muita gente, muita gente mesmo ao redor, sentia", conta a BBC Mundo Vilches, que escreve para "La Izquierda Diario".
Uma raiva, continua, "que muitos sentem contra uma justiça que sistematicamente age assim".
O assassinato de Agostina Vega abalou a Argentina, embora não se trate de um caso isolado.
Dois dias antes de ser encontrada, apareceu dentro de uma fossa séptica em um prédio abandonado o corpo de Dulce María Beatriz Candia, de 17 anos, desaparecida durante duas semanas na província de Misiones. Como Agostina, havia sido asfixiada.
No mesmo sábado em que encontraram Agostina, Noelia Romero, de 30 anos, chamava aterrorizada a polícia: "Meu namorado me tem como refém". Os agentes se aproximaram da residência, mas aguardaram horas na porta à espera de uma ordem judicial. Quando entraram, Noelia já estava morta.
Há 11 anos, outro assassinato de uma menina de 14, Chiara Páez, originou o movimento feminista "Ni Una Menos", que se manifesta desde então todo 3 de junho contra a violência machista, e que nessa semana voltou a levar a raiva e a indignação de muitos argentinos às ruas do país.
Desde então, a organização contabilizou mais de 3.200 casos de vítimas letais de violência de gênero.
A violência contra a mulher não é nova na Argentina, mas no contexto atual, os casos de Agostina, Dulce e Noelia colocaram o foco nas críticas aos cortes que o governo de Javier Milei impôs aos programas e instituições dedicadas à proteção da mulher e à luta contra a violência de gênero.
Também no que muitos na Argentina denominam um "clima de época", ou seja, a "batalha cultural" que empunham o presidente Milei e seus apoiadores com um discurso antifeminista que vem se consolidando em certos setores.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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