Venezuela enfrenta desafios de reconstrução após sismos de grande magnitude
Resposta ante a catástrofe natural
Desde 24 de junho, quando ocorreram os sismos de magnitude 7,2 e 7,5, as prioridades da Venezuela se reorientaram para a atenção das consequências imediatas. Os terremotos causaram ao menos 3.811 falecidos e 16.740 feridos, deixando mais de 17.900 pessoas sem moradia que se encontram, em sua maioria, em acampamentos transitórios.
O país que se encaminhava para um futuro promissor após anos de crise agora enfrenta o desafio de recuperar a infraestrutura afetada e reconstruir as zonas devastadas. A catástrofe impactou edifícios residenciais e corporativos, comércios, hotéis, hospitais, escolas, centros comerciais, indústrias, estradas, pontes e o principal aeroporto internacional, o Simón Bolívar, localizado em La Guaira, na região norte adjacente a Caracas.
Avaliações de danos
Segundo uma primeira avaliação da agência espacial estadunidense NASA, o duplo terremoto poderia ter deixado aproximadamente 58.870 edifícios danificados ou destruídos. O Governo venezuelano cifra em 190 os edifícios colapsados. O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) estima de maneira preliminar em 6.700 milhões de dólares os danos físicos diretos.
Felipe Capozzolo, presidente de Fedecámaras, a maior patronal venezuelana, apontou que embora os principais centros agrícolas, industriais, turísticos e comerciais, assim como os campos petrolíferos, se encontrem fora do epicentro do desastre, a tragédia mesmo assim impacta a economia nacional e retarda os planos de desenvolvimento. Capozzolo prevê que a catástrofe poderia representar uma redução de dois ou três pontos do produto interno bruto (PIB).
Impacto na nova era econômica
A catástrofe interrompe uma nova etapa econômica marcada pela abertura de setores estratégicos como o petrolífero, o mineiro e o elétrico ao capital privado e estrangeiro, assim como pelo retorno do país ao mundo ocidental e ao sistema financeiro internacional. Esta abertura já havia gerado acordos com energéticas estadunidenses e europeias.
Para o economista Asdrúbal Oliveros, o processo econômico que se iniciou este ano continua, mas está agora afetado pela reconstrução e suas demandas. Venezuela precisa resolver os danos à infraestrutura, atender aos desabrigados e enfrentar os problemas logísticos. O especialista indicou que se previamente se esperava um crescimento de entre 5 e 8 por cento, é provável que agora oscile entre 2 e 4 por cento.
Planos de recuperação
Capozzolo propõe que existam planos de reconstrução em aliança com o setor privado para ajudar que o país se levante de maneira rápida, o que considera requererá financiamento internacional. A presidenta encarregada, Delcy Rodríguez, informou de conversas com países como Estados Unidos e Brasil e instituições como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial para o processo de recuperação.
Rodríguez anunciou recentemente a criação de um fundo inicial com o equivalente a 200 milhões de dólares e de uma conta na CAF-Banco de Desenvolvimento da América Latina e do Caribe para doações internacionais. Além disso, pediu o apoio do PNUD para impulsionar programas de moradia destinados a beneficiar as pessoas afetadas pelos terremotos.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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