A catástrofe abala a nova era econômica da Venezuela
Terremotos deixam milhares de mortos e desabrigados, interrompendo processo de abertura econômica e reformas estruturais
Desde o 24 de junho, quando ocorreram os sismos de magnitude 7,2 e 7,5 que deixaram pelo menos 3.811 mortos e 16.740 feridos, as prioridades são outras, entre elas dar uma solução às mais de 17.900 pessoas que ficaram sem moradia e que se encontram, em sua maioria, em acampamentos transitorios.
Nesse sentido, o país que se encaminhava para um futuro promissor, após anos de crise, tem o desafio de recuperar a infraestrutura afetada e reconstruir as zonas devastadas.
A catástrofe eclipsou uma nova era econômica marcada por uma abertura de setores estratégicos como o petroleiro, o coração da economia venezuelana, o mineiro e o elétrico ao capital privado e estrangeiro, assim como pelo retorno do país ao mundo ocidental e ao sistema financeiro internacional.
Essa abertura já havia dado resultados como a assinatura de acordos com energéticas estadunidenses e europeias, em plenos acercamentos com o Governo de Donald Trump, que acompanhou muito de perto a gestão da mandatária encarregada, Delcy Rodríguez, vice-presidente de Maduro até que assumiu o cargo após a captura do chavista.
Agora essa estreita colaboração, impensável até janeiro passado, está focada nestes momentos nas consequências do desastre.
Felipe Capozzolo, presidente de Fedecámaras, a maior patronal venezuelana, disse à EFE que embora os principais centros agrícolas, industriais, turísticos e comerciais, assim como os campos petroleiros, estejam fora do epicentro do desastre, a tragédia igualmente abala a economia nacional e atrasa os planos.
"A economia se coloca em modo tragédia", afirmou o dirigente empresarial, que prevê que a catástrofe leve embora dois ou três pontos do produto interno bruto (PIB).
O duplo terremoto causou danos em edifícios residenciais e corporativos, comércios, hotéis, hospitais, escolas, centros comerciais, indústrias, estradas, pontes e no principal aeroporto internacional do país, o Simón Bolívar, em La Guaira (norte, adjacente a Caracas), a região devastada.
Uma primeira avaliação da agência espacial estadunidense NASA indica que o duplo terremoto poderia ter deixado uns 58.870 edifícios danificados ou destruídos.
O Governo venezuelano calcula em 190 os edifícios colapsados.
O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) estima de maneira preliminar em 6.700 milhões de dólares os danos físicos diretos.
Capozzolo propõe que haja planos de reconstrução em aliança com o setor privado para ajudar a que o país se levante "o mais rápido possível", o que considera que exigirá financiamento internacional.
A presidenta encarregada informou de conversações com países como EUA e Brasil e instituições como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial para o processo de recuperação. Além disso, pediu o apoio do PNUD para impulsionar programas de moradia.
Rodríguez anunciou recentemente a criação de um fundo inicial com o equivalente a 200 milhões de dólares e de uma conta na CAF-Banco de Desenvolvimento da América Latina e do Caribe- para doações internacionais.
Para o economista Asdrúbal Oliveros, o processo econômico que se iniciou este ano "segue", mas "afetado pela reconstrução e suas demandas".
Caracas tem agora que "tentar resolver os danos à infraestrutura, a atenção aos desabrigados e fazer frente aos problemas logísticos".
O especialista indicou que se previamente se esperava um crescimento de entre 5 e 8%, é provável que agora oscile entre 2 e 4%.
Além disso, prevê que haja "maiores pressões inflacionárias" como consequência do desastre natural.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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