Venezuela apresenta argumentos ante a Corte Internacional de Justiça por disputa territorial
Apresentação ante a máxima instância judicial internacional
A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, representou seu país nesta segunda-feira ante a Corte Internacional de Justiça (CIJ), a máxima jurisdição da ONU, na disputa territorial com a Guyana pelo Esequibo. Este evento marca o primeiro viagem de Rodríguez à Europa desde que exerce a presidência.
Rodríguez já havia representado a Venezuela em encontros internacionais anteriores, incluindo uma cúpula realizada em Bruxelas em 2023 entre a União Europeia e países da América Latina, quando desempenhava o cargo de vice-presidente. Desde que assume a presidência, realizou apenas dois viagens fora da Venezuela, ambas a países caribenhos vizinhos.
Argumentos apresentados por Venezuela
A alta funcionária venezuelana desembarcou no domingo nos Países Baixos para encabçar a delegação de seu país ante a CIJ. Em suas declarações, Rodríguez afirmou que Venezuela possui a titularidade sobre o território do Esequibo.
"Ficou muito claro que o único que tem titularidade sobre este território, nesta controvérsia territorial, é Venezuela"
Segundo a posição venezuelana, a presença ante o Palácio da Paz em Haia tem como propósito defender os "direitos históricos" sobre a região. Venezuela sustenta que o acordo assinado em 1966 com o Reino Unido em Genebra, antes da independência da Guyana, estabelece as bases para uma solução negociada da controvérsia.
Contexto histórico da disputa
A disputa territorial entre a Guyana e Venezuela tem raízes que remontam ao século XIX. O conflito se intensificou significativamente a partir de 2015, quando foram descobertos enormes jazidas petrolíferas em águas territoriais, o que posicionou a Guyana como o país com as maiores reservas mundiais de petróleo por habitante.
O território do Esequibo abrange mais de dois terços da Guyana e atualmente é controlado por este país. Venezuela reclama esse território, que representa aproximadamente 160.000 quilômetros quadrados de extensão.
Posições de ambas as partes
A Guyana sustenta que o traçado de sua fronteira, estabelecido durante a época colonial inglesa, foi ratificado em 1899 por um Tribunal de Arbitragem em Paris. O país solicitou à CIJ que confirme este limite fronteiriço.
Venezuela, por sua vez, começou a questionar ativamente a sentença arbitral de 1899 a partir de 1962. O país argumenta que o rio Esequibo deve ser a fronteira natural, como foi em 1777 durante a época de colonização espanhola, e que o acordo de 1966 com o Reino Unido fornece o marco legal para uma solução negociada da controvérsia.
Processo ante a Corte Internacional de Justiça
A CIJ realizou a partir de 4 de maio uma série de audiências públicas sobre esta disputa territorial. A audiência desta segunda-feira representa a quarta e última sessão prevista no processo judicial para discutir os argumentos de ambas as partes sobre este conflito territorial.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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