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Internacional

China 2.0

11/05/2026 08:00 4 min lectura 104 visualizações

Nestes momentos, estamos diante do segundo choque chinês no mercado mundial, só que agora não mais em indústrias tradicionais, mas em setores estratégicos de alta tecnologia como IA, energia, Fintech, automóveis sofisticados, equipamentos, eletrônica, etc. No choque 1.0 eram países emergentes sofrendo com a produtividade dos trabalhadores chineses em manufaturas. No choque 2.0 são potências mundiais, incluindo a Europa, com tecnologia avançada sendo arrasadas por produtos chineses de qualidade sofisticada e desenvolvimento tecnológico high end.

O termo "choque da China" provém de um paper do MIT, intitulado "O síndrome da China", de David Autor, David Dorn e Gordon Hanson de 2013, que mostrava os efeitos empíricos sobre como a manufatura estadunidense perdeu milhões de empregos com a invasão de produtos chineses. Nestes momentos, a diferença é que os produtos e setores que estão sendo afetados com o segundo choque chinês são totalmente diferentes. Para começar, o superávit comercial da China com o resto do mundo é enorme, apenas em manufaturas em 2025 ultrapassa os USD 2 trilhões.

O superávit comercial em bens em geral é de USD 1,2 trilhões. Todos perdem contra a China. O problema é que o primeiro superávit é essencialmente em manufaturas de alta tecnologia, USD 620 bilhões; em equipamentos de transporte, incluindo autos e caminhões, é de USD 310 bilhões, e USD 270 bilhões é em outras máquinas em geral. Os chineses arrasam na participação de mercado global de produtos de alta tecnologia. Desde 2003, painéis solares, por exemplo, eram menos, vinte por cento, mas agora dominam noventa por cento do mercado em todo o mundo. Que tal. Navios eram quarenta por cento e agora estão em sessenta por cento; aço era vinte e saltou para cinquenta por cento no presente. Vejam só.

A China 1.0 entrando no mundo era para ganhar no comércio tradicional com custos baixos. A China 2.0 agora é excesso de produção de alta tecnologia, altos níveis de poupança e investimento e dinamismo acelerado nos mercados com enérgica competição entre empresas chinesas. No primeiro choque, o mundo era otimista com a globalização e a integração de mercados; agora, no segundo choque é um mundo com recessão geopolítica, fragmentação de mercados e protecionismo.

O que pouca gente sabe no Ocidente é que a competição entre empresas chinesas é mais feroz que nos Estados Unidos, é um mercado de capitalismo superselvagem; claro, no setor real da economia. Em um exemplo extremo, a competição —por menores preços entre as plataformas de entregas de comidas rápidas e correios privados— foi tão selvagem que baixaram os preços a níveis mínimos, já sem margem de lucro, por isso algumas práticas em algumas firmas para derrotar as competidoras foram sancionadas pelas instituições de controle da concorrência dentro do mercado fair play.

Nem por sombra o oligopsônio dos frigoríficos paraguaios sobreviveria à Conacom chinesa. Outro exemplo, acabam de cortar subsídios a empresas maduras (de autos elétricos, entre outras). E depois, no Paraguai —com gastos tributários em favor de indústrias de bicicletas já velhas e maduras, ISC concessionais a tabacos e bebidas açucaradas, transporte público com bônus soberanos— me falam de "mercado".

O país dos empresários artificiais e políticos corruptos, onde uma instituição financeira de amigos tem fundos privilegiados do Estado, não suportaria as normas do mercado chinês. Nada a ver com o capitalismo de sequazes Py "anticomunista" controlado por poucas empresas que vendem ao Estado, onde mais de cinquenta por cento de sua faturação é o Governo central, governanças e municipalidades: obras públicas, Hambre Cero e farmacêuticas, entre outras. VLLC. Saudações cordiais.

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.

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