Não há excedente biológico para aumentar o rebanho bovino, afirmam
A queda do rebanho bovino paraguaio continua sendo uma das maiores preocupações para o setor de carnes nacional. Embora nos últimos anos tenham sido registrados momentos de relativa estabilização, desde a Associação Paraguaia de Produtores e Exportadores de Carne (Appec) sustentam que não existe ainda uma recuperação estrutural e que os números atuais refletem um sistema praticamente estagnado.
A gerente geral da Appec, Claudia Bogado, explicou que o deterioro do estoque bovino começou a evidenciar-se de maneira sustentada desde o ano 2014, apesar de que em 2020 alcançou-se um pico próximo às 14 milhões de cabeças.
"O rebanho ganadero mostra uma tendência de deterioro desde 2014, com um pico em 2020, mas sem mudar a tendência de fundo", afirmou.
Atualmente, o rebanho nacional se ubica em aproximadamente 12,72 milhões de cabeças, o que representa uma diminuição acumulada de entre 1,2 e 1,3 milhões de animais com respeito ao máximo registrado há cinco anos.
Segundo Bogado, a principal preocupação não passa unicamente pela redução já registrada, mas pela falta de condições que permitam reverter o cenário no curto prazo. "Não houve uma recuperação estrutural. Falta recuperar aproximadamente 1,2 milhões de cabeças para voltar ao nível de 2020, mas o mais importante é que hoje não estão dadas as condições para essa recuperação", ressaltou.
SEM EXCEDENTE. A representante do sindicato explicou que os indicadores produtivos atuais mostram que o sistema ganadero paraguaio opera praticamente sem margem biológica para expandir-se.
Nesse sentido, sinalizou que o abate anual ronda atualmente as 2,5 milhões de cabeças, enquanto que a produção de bezerros se ubica em níveis similares.
"Temos um abate de 2.500.000 cabeças ao ano e uma produção de bezerros também próxima a 2.500.000 cabeças. Nessa quantidade, ainda devemos calcular mortalidade e perdas prévias ao abate", indicou.
Ao critério de Bogado, isto evidencia que o sistema se encontra "em equilíbrio ou inclusive em contração", devido a que praticamente não existe um excedente líquido de animais que permita recompor o estoque nacional. "Em conclusão, não há excedente biológico para crescer", enfatizou.
FALTA DE SINAIS. Desde a Appec consideram que, sob as condições atuais, não existem indicadores que permitam projetar uma recuperação sustentada do rebanho nos próximos anos.
"Com os números atuais não há evidência de que o rebanho vá recuperar-se no curto ou médio prazo", sustentou a gerente do sindicato.
A situação gera preocupação dentro de toda a cadeia de carnes, considerando que a disponibilidade de animais impacta diretamente sobre a capacidade de abate dos frigoríficos, a oferta exportável e o abastecimento futuro de mercados internacionais.
Nos últimos anos, distintos referentes do setor coincidiram em que a recuperação do estoque bovino requererá muito mais que uma retenção temporária de fêmeas ou uma diminuição do abate.
Entre os fatores mencionados aparecem a necessidade de melhorar os índices reprodutivos, aumentar a produtividade por hectare, incorporar mais tecnologia, fortalecer a genética e gerar condições de previsibilidade econômica para incentivar investimentos de longo prazo.
A isto se somam desafios climáticos, financeiros e de rentabilidade que afetam especialmente aos produtores ganaderos em um contexto marcado além disso pela volatilidade cambial e maiores exigências dos mercados internacionais.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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