Uso de impostos para cobrir a Caixa Fiscal cresceu 14% em um ano
Tesouro continua absorvendo perdas com arrecadação tributária, evidenciando insuficiência da nova reforma
À medida que o déficit do Sistema de Pensões e Jubilações do setor público — mais conhecido como Caixa Fiscal — segue se aprofundando, o Tesouro continua absorvendo as perdas através da arrecadação tributária, evidenciando que a nova reforma é insuficiente.
De acordo com o relatório da Situação Financeira da Tesouraria Geral, divulgado pelo Ministério de Economia e Finanças (MEF), as transferências para a Caixa Fiscal com Fonte 10, ou seja, com impostos, aumentaram em 14% e totalizaram G. 2,5 bilhões, ou USD 428,1 milhões à taxa de câmbio atual de G. 6.070 por dólar.
Este total representa um incremento de G. 319.008 milhões, em comparação com os G. 2,2 bilhões (USD 375,5 milhões) utilizados no mesmo período do ano passado.
Com relação a todas as fontes de financiamento, o crescimento foi de G. 490.235 milhões ou de 11,5%, tendo alcançado G. 4,7 bilhões (USD 784,1 milhões), frente aos G. 4,2 bilhões (USD 703,3 milhões) de 2025.
O gasto pela Caixa Fiscal representa atualmente 15% do gasto público total e é justamente um dos itens que mais pressiona o Tesouro Público, atrás da dívida pública, que representa 16,7% do total, e dos salários, que alcançam quase 40%.
Quanto à Fonte 30, dos recursos próprios do sistema previdenciário, também se reportou um incremento nas transferências, que chegaram a G. 2,1 bilhões (USD 355,9 milhões). Assim, o crescimento foi de 8,6% ou G. 171.228 milhões em um ano.
A reforma da Caixa Fiscal foi promulgada em março passado, mas até a data não se percebe uma contenção importante do déficit e as perdas inclusive superam em 7,4% o resultado do ano passado.
A junho de 2026, o saldo negativo alcançou G. 1,3 bilhões, equivalentes a aproximadamente USD 217,2 milhões, e o incremento chega inclusive a 41% se levadas em conta as estimativas de USD 153 milhões do ano passado.
Os setores com maior perda continuam sendo os professores e as forças públicas, seguidos pelos docentes universitários e pelos magistrados judiciais. A única caixa que se mantém com superávit é a dos funcionários públicos, mas seu saldo positivo é de apenas USD 3,4 milhões.
Os magistrados judiciais, por sua vez, fecharam com superávit em junho após períodos de perdas, mas trata-se apenas de um crescimento leve, mantendo-se com déficit no acumulado.
De acordo com o último relatório atuarial do sistema previdenciário público, a reforma apenas permitiria reduzir o déficit em um pequeno percentual e no curto prazo, mas não eliminará os riscos estruturais que comprometem sua sustentabilidade.
Em princípio, o documento propunha uma redução do déficit de cerca de 61,7%, com uma economia média anual de USD 573 milhões.
Entretanto, com as modificações aplicadas no Congresso Nacional, o percentual se reduziu até 21% e a partir do MEF sinalizaram que permitiria apenas uma economia de USD 300 milhões por ano.
Especialistas consultados em sua maioria concordaram que ainda é muito cedo para avaliar o impacto da reforma e inclusive sustentam que poderia não estar apresentando resultados.
O economista Luis Rojas, particularmente, considerou que o déficit histórico da Caixa Fiscal responde à falta de um aporte estatal. Embora tenha lembrado que com a reforma se estabeleceu um aporte do Estado de 10%, qualificou-o de insuficiente, razão pela qual não permite remediar a crítica situação financeira.
É insuficiente para que a Caixa não tenha déficit. Deveria ter sido maior, como estabelece uma das convenções internacionais da OIT. Tem que ser no mínimo igual ao aporte dos trabalhadores
Assim questionou, acrescentando que outro problema é o aumento dos jubilados frente à quantidade de contribuintes.
Contratados. Por outro lado, segue avançando o processo de incorporação dos funcionários públicos...
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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