Uruguai consolida cenário pecuário firme com bezerros em alta e crescente confiança na criação
O mercado pecuário uruguaio atravessa um momento de firmeza e expectativas positivas, com claro protagonismo do negócio da criação. A safra de bezerros mostra valores em alta, marcada retenção de fêmeas e respaldo sólido desde o mercado do gado gordo.
Uruguay volta a posicionar-se com destacada produção de bezerros, superando novamente os 3 milhões de cabeças nesta safra. Foi uma boa produção, com percentual de marcação de 75%, onde o clima acompanhou e também a adoção de tecnologia por parte dos produtores.
O país conta com aproximadamente 4 milhões de vacas de cria, o que somado a bons índices reprodutivos, consolida uma base sólida para o negócio pecuário.
O bezerro situa-se hoje no entorno dos US$ 4 por quilo em pé, tanto para machos como para fêmeas, marcando uma mudança significativa em relação a campanhas anteriores. Hoje não há praticamente diferença entre o preço do bezerro e da bezerra, algo que historicamente sim existia.
Esta equiparação de valores dá-se paralelamente a uma forte retenção de ventres, especialmente de bezerras, refletindo a confiança do produtor no futuro do negócio. Há uma clara retenção da bezerra sobre o bezerro, indicando que o produtor está confiando na criação.
O incremento de preços é contundente: um dólar a mais por quilo em relação à safra passada, onde a média estava abaixo dos US$ 3. Hoje os valores giram entre 600 e 700 dólares por animal, dependendo do lote.
Um fator estrutural que sustenta o mercado é a exportação de gado em pé, que atua como referência e piso de preços. Em 2025, o país exportou cerca de 400.000 animais, principalmente com destino à Turquia, fortalecendo o negócio da reposição.
O mercado do gado gordo também mostra sinais de firmeza. A exportação de carne bovina registra valores historicamente altos, com média móvel de US$ 6.020 por tonelada peso carcaça nas últimas semanas, provavelmente dos valores mais altos na história do Uruguay, com melhoria de 15 a 16% em relação ao início de 2025.
A nível interno, o novilho apresenta referências que retomaram a senda altista. Os novos negócios situam-se entre US$ 5,30 e US$ 5,40 por quilo carcaça, em um mercado com pouca operativa mas com clara tendência de firmeza. No início do ano alcançaram-se picos de até US$ 5,80.
O abate mostra queda significativa, passando de níveis entre 40.000 e 50.000 cabeças semanais para menos de 30.000 na atualidade, contribuindo para sustentar os valores. O mercado está com pouca oferta e a indústria não está pressionando na compra.
Neste contexto, o negócio pecuário uruguaio encontra equilíbrio entre produção, preços e expectativas. A combinação de bons índices reprodutivos, valores sustentados no gordo e mercado de reposição dinâmico gera um cenário onde a criação se fortalece.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do AgroRural Paraguay.
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