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Tonelli sobre a saída do Brasil da Europa: "É um aviso extremamente sério"

A suspensão temporária do Brasil como fornecedor de carne bovina à União Europeia abre oportunidades para Argentina, Uruguai e Paraguai

04/09/2026 03:00 3 min lectura 360 visualizações

A suspensão do Brasil como fornecedor de carne vacuna da União Europeia pode gerar movimentos relevantes no comércio internacional e abrir espaços adicionais para Argentina, Uruguai e Paraguai, embora para Víctor Tonelli, analista dos mercados internacionais e diretor de Tonelli e Associados, a principal mensagem deixada pela medida esteja relacionada às exigências sanitárias, de rastreabilidade e controle que enfrentarão os países exportadores.

A partir de 3 de setembro, o Brasil fica temporariamente impedido de abastecer o bloco europeu até que possa apresentar respostas satisfatórias com respeito às exigências vinculadas ao controle do uso de antimicrobianos e aos sistemas que permitem garantir o cumprimento dessas condições.

Tonelli considerou que, desde o momento em que se conheceram as novas exigências europeias, resultava complexo que o Brasil pudesse resolvê-las em um período curto de tempo. E ressaltou que, a seu entender, não corresponde interpretar a decisão europeia simplesmente como uma barreira comercial.

"O tema do uso indiscriminado de antibióticos é de extrema seriedade, tanto para a saúde humana quanto para a saúde animal. Não é um tema de barreiras para-tarifárias, como alguns tentam mencionar", sustentou o consultor em diálogo com Valor Agro.

O especialista recordou que a resistência antimicrobiana representa há anos uma preocupação crescente em nível mundial e afirmou que esse tipo de requisitos será cada vez mais importante para os países que pretendam participar dos mercados internacionais de alimentos.

Nesse sentido, Tonelli apresentou também interrogações sobre a capacidade atual do sistema brasileiro para responder às exigências europeias. "O Brasil não tem um sistema de rastreabilidade como tem a Argentina, como tem o Uruguai ou o próprio Paraguai. Me dá a impressão de que vão ter que se pôr a trabalhar seriamente, muito seriamente", afirmou.

Um fornecedor próximo às 100 mil toneladas

Além do componente sanitário, a saída temporária do Brasil tem uma dimensão comercial relevante. Segundo os dados mencionados por Tonelli, o Brasil colocou durante o último ano cerca de 100 mil toneladas de carne vacuna no mercado europeu e durante o primeiro semestre de 2026 já havia superado as 50 mil toneladas, com uma faturação próxima a US$ 500 milhões.

Uma parte importante desses embarques corresponde a carne congelada fora de cota, de modo que uma suspensão que se prolongue poderia obrigar a redirecionamento de mercadoria brasileira para outros mercados e, ao mesmo tempo, gerar espaços que poderiam ser aproveitados por fornecedores habilitados.

Para Tonelli, ali aparece uma primeira oportunidade para os restantes sócios do Mercosul. Argentina, Uruguai e Paraguai permanecem habilitados e poderiam encontrar melhores possibilidades comerciais dentro da Europa na medida em que o Brasil continue fora do mercado.

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do AgroRural Paraguay.

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