Tarifa IA: Incentivos desatam críticas por risco energético
O que o Governo apresenta como um passo firme rumo à vanguarda digital com a assinatura de novos decretos para incentivar a inteligência artificial (IA) é visto por grêmios técnicos e empresariais como uma estratégia "imprudente" e "discriminatória".
Fernando Arriola, diretor da Cámara Paraguaya de Fintech e CFO da BCMinin, questiona a coerência estatal. Segundo Arriola, existe uma clara discriminação regulatória que beneficia as denominadas "indústrias convergentes" com tarifas preferenciais, enquanto se asfixia a mineração de criptoativos legal.
"O setor da mineração digital já injetou centenas de milhões de dólares sob um marco legal, mas hoje enfrentamos custos energéticos que duplicam os de outras indústrias", denunciou Arriola. Para o dirigente, as leis de promoção deveriam ser universais e não seletivas, advertindo que o preço atual da energia está expulsando do país investidores que já apostaram capital em solo paraguaio.
Além dos incentivos fiscais, Arriola questionou a capacidade real do país para abrigar gigantes como Nvidia ou X (ex-Twitter). O especialista aponta que o Paraguay carece de soberania digital. Afirma que não existe uma troncal própria de internet, dependendo de fibras da Argentina e do Brasil, o que eleva a latência e degrada a qualidade para processos de IA massiva.
No mesmo sentido, assinala que os data centers de alto nível exigem fontes alternativas (solar ou biogás), já que a dependência exclusiva da hidroeletricidade é um risco técnico para os grandes hubs regionais, como o do Google no Uruguay.
EM PERIGO. A esta postura soma-se o contundente protesto da Unión de Ingenieros de la ANDE (UIA). O grêmio manifestou sua total desconformidade com os decretos N° 5860/26 e N° 5861/26, promulgados no passado 24 de abril.
Os profissionais advertem que fixar tarifas baixas por 15 anos para grandes consumidores é uma jogada "imprudente". Dado que a demanda cresce sustentadamente, a ANDE se verá obrigada a contratar novas fontes de geração mais custosas. "Esses custos deverão ser transferidos ao restante dos usuários –indústrias pequenas, comércios e cidadãos–, gerando um subsídio indireto para os grandes capitais eletrointensivos", reza o comunicado da UIA.
Além disso, o grêmio de engenheiros se isentou de responsabilidade sobre o conteúdo desses decretos, esclarecendo que a Mesa Técnica convocada pelo Governo não foi um espaço deliberativo real, mas apenas de análise genérica.
Do Governo asseguram que o Paraguay tem potencial para se converter em um hub regional de IA. Buscam atrair USD 4.000 milhões em investimentos e que um GW equivaleria a entre USD 40.000 e 50.000 milhões, montante similar ao PIB atual.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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