Inteligência artificial transforma o panorama digital com maior presença em conteúdos verificados
Os dados coletados pelo Observatório Europeu de Mídias Digitais (EDMO) revelam uma tendência clara: os conteúdos criados com inteligência artificial (IA) experimentaram um crescimento sustentado nos últimos meses, transformando o panorama digital atual.
Evolução quantitativa e qualitativa do fenômeno
A mudança observada não é unicamente quantitativa. A expansão dessas ferramentas tecnológicas facilita a criação de conteúdos cada vez mais sofisticados e adaptados à atualidade, gerando também novos fenômenos na avaliação de conteúdo digital.
Os dados mostram uma tendência comum de alta, atingindo seu ponto mais alto em março, quando 34% das verificações publicadas pelo EFE Verifica corresponderam a conteúdos sintéticos. No conjunto do EDMO, essa proporção chegou a 20%, representando o maior percentual registrado em ambos os casos.
Inovações tecnológicas impulsionam o crescimento
Esse incremento coincide com uma série de lançamentos de modelos de imagem e vídeo mais realistas e acessíveis desde setembro de 2025. Em apenas alguns meses foram apresentadas ferramentas como Ray3, Sora 2, Veo 3.1, Firefly Image Model 5 e Nano Banana Pro, todas com melhorias significativas na geração audiovisual.
Essas ferramentas permitem criar imagens, vídeos e áudios sintéticos, adaptando-os a praticamente qualquer conversa pública e aproveitando diversos contextos informativos para transformar narrativas.
Adaptação à atualidade
A IA demonstra uma notável capacidade de adaptação aos temas que ocupam a agenda informativa a qualquer momento. Além de servir como ferramenta de comunicação, os eventos que geram debate público são objeto do chamado 'AI slop', conteúdos que buscam gerar interações e cujo principal objetivo é a monetização.
Nas verificações realizadas entre setembro de 2025 e abril de 2026, os conteúdos sintéticos aparecem diretamente vinculados a eventos que marcaram a atualidade internacional.
A guerra do Irã irrompeu com força em março e se situou como o principal foco de narrativas com IA. Anteriormente, a captura de Maduro havia provocado em janeiro uma onda de conteúdos sintéticos, enquanto outros assuntos como o caso Epstein, a imigração e eventos virais concentraram materiais desde setembro.
Padrões de comportamento identificados
O padrão é evidente: a IA tem maior presença em contextos onde existe incerteza, tensão política, imagens impactantes ou pouca informação disponível nos primeiros momentos de um evento.
No entanto, nem todos os conteúdos gerados com IA são iguais. Uma análise das verificações publicadas em março pelos membros do Iberifier na Espanha —Newtral, Maldita, Verificat e EFE Verifica— mostra que a inteligência artificial é utilizada principalmente para fabricar cenas, mas também pode gerar ceticismo sobre conteúdos autênticos.
Predomínio de formatos visuais
Os formatos visuais dominam as verificações sobre IA analisadas em março. O vídeo concentra mais da metade dos casos, seguido da imagem, enquanto os conteúdos vinculados a chatbots ou formatos mistos têm menor peso.
O vídeo predomina porque conserva uma força probatória que outros formatos não têm. Diante de uma imagem fixa ou um texto atribuído a um chatbot, uma sequência em movimento costuma ser percebida como uma prova mais completa de que algo ocorreu.
Diversas investigações sobre 'deepfakes' sugerem que o conteúdo audiovisual costuma gerar mais confiança que o verbal porque se aproxima mais da lógica de 'ver para crer'. A IA aproveita essa confiança mediante cenas que parecem gravadas ao vivo como supostas evidências.
Neste contexto, o impacto depende não só do realismo da cena, mas também de sua capacidade para integr...
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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