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Paraguai

Alta vulnerabilidade estanca o desenvolvimento, segundo o PNUD

28/04/2026 13:45 3 min lectura 88 visualizações
Alta vulnerabilidad estanca el desarrollo, según el PNUD

Paraguai faz parte de um grupo de países de renda média-alta da América Latina que, apesar de melhorias pontuais, não conseguiu traduzir seu nível econômico em um desenvolvimento humano mais sólido e equitativo. Assim reflete o Relatório Regional de Desenvolvimento Humano "Sob pressão: Recalibrando o futuro do desenvolvimento na América Latina e Caribe" (ALC), apresentado ontem na Casa da Integração pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), o Ministério de Desenvolvimento Social (MDS) e o Banco de Desenvolvimento da América Latina e Caribe (CAF).

O relatório regional indica que os progressos em saúde, educação e renda registrados nas últimas décadas desaceleraram notavelmente desde meados da década de 2010. O crescimento anual do Índice de Desenvolvimento Humano caiu de 0,7% nos anos noventa para 0,2% no período mais recente. Mais da metade da população da região carece de mecanismos adequados para enfrentar crises econômicas, climáticas ou sociais, o que deixa 25% ainda em pobreza e 31% em situação de vulnerabilidade.

No Paraguai, o panorama apresenta características similares. O país integra o grupo de economias de renda média-alta, mas a elevada desigualdade impede que esse status se traduza em maiores níveis de desenvolvimento humano. Uma proporção significativa da população se localiza logo acima da linha de pobreza, com alto risco de recair ante qualquer choque externo.

Uma das lacunas mais visíveis é a digital. Embora a conectividade tenha melhorado, existe uma marcada diferença de acesso à internet segundo o nível de renda: os lares do quintil mais alto têm acesso substancialmente maior que os do quintil mais baixo. A lacuna urbano-rural também limita as oportunidades de desenvolvimento para uma parte importante da população.

O ministro de Desenvolvimento Social, Miguel Tadeo Rojas, assinalou durante o evento que a redução da pobreza registrada este ano responde a políticas sociais concretas, entre elas o programa Tekoporã Mbarete (que chega a mais de 196.000 famílias), Hambre Cero (que beneficia cerca de 1.050.000 estudantes) e a universalização da pensão para adultos maiores. No entanto, o próprio relatório sublinha que a renda por si só não garante bem-estar quando persistem lacunas estruturais.

Durante o painel, a analista de Desenvolvimento Inclusivo do PNUD, Ofelia Valdez, apresentou os dados regionais, enquanto representantes das instituições organizadoras coincidiram na necessidade de colocar a resiliência como eixo central das políticas públicas. A gerente de Gênero, Inclusão e Diversidade da CAF, Ana María Baiardi, destacou que a inclusão de gênero, deficiência e diversidade étnico-racial deve ser transversal nas estratégias de desenvolvimento. Por sua parte, o vice-ministro de Políticas Sociais, Carlos Paris, mencionou o acompanhamento sociofamiliar dos programas Tekoporã Mbarete e Proeza como exemplos de ações orientadas a fortalecer a resiliência.

A coordenadora residente das Nações Unidas no Paraguai, Hanny Cueva-Beteta, encerrou o encontro lembrando que "as oportunidades estão ali", mas requerem visão, alianças e decisão coletiva para se traduzirem em políticas sustentáveis.

O relatório deixa uma conclusão clara para o Paraguai: sem uma redução efetiva das desigualdades estruturais, o fortalecimento da infraestrutura digital e climática, e a consolidação da confiança institucional, os avanços em desenvolvimento humano seguirão sendo frágeis e reversíveis.

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.

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