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Sociedade

Supremacia, essa ilusão antropológica

02/06/2026 08:00 4 min lectura 29 visualizações

Assim, a divisão do mundo deve contemplar aqueles que ostentam sangue e linhagem exclusivos e de alcurnia frente ao resto que permanece como convidado de pedra no devir internacional.

A direita, e mais a ultradireita, instala essa lógica desvairada para plasmar em discursos de ódio o suposto destino manifesto para certas raças, que já foram eleitas de antemão, para comandar o presente e futuro de gerações onde, infelizmente para eles, também convivem pessoas de outra cor de pele, pensamento distinto e um leque quase incontável de variedades em sua ideologia.

Os chamados supremacistas raciais se ubicam no espectro do ariano, do louro de tez branca e olhos claros, e se sentem atraídos pela força bruta e pelas imprecações contra o outro para impor sua hegemonia, sua idiossincrasia e seu modo de observar o mundo.

A onda de visões que ecoam culpas aos imigrantes, aqueles "marrons" que chegam às grandes metrópoles cosmopolitas do denominado mundo desenvolvido, expulsos por crises e deterioração em seus países de origem, ou bem as férreis políticas de batidas em massa para expulsar estrangeiros indocumentados de territórios repletos por migração sustentada; falam por si sós da intolerância e de problemáticas pós-modernas que se acentuam com o tempo.

O vagão de cauda desse fenômeno, que sempre se instala em nações menos privilegiadas, como as da América Latina, por exemplo, é dado por quem também se sente superior em raça, cor, pensamento e ações frente à gente que ostenta mais perfis originários ou derivados de um mestizagem que pinta grandes franjas populacionais nessa região.

Produto dessa ilusão óptica, em que revivem linhas nefastas de racismo e xenofobia próprios do fascismo do velho continente a inicios do século XX, plasmados no germânico nazista ou no seguidor de Mussolini, se acopla ao devir atual com mais força essa ideia de que somente tudo que é europeu é sinal de progresso e superioridade; frente ao qual o selo dos povos originários e seu âmbito de influência ficam relegados como o triste resto do mundo.

Casos há aos milhares; brindemos alguns: Cartazes em via pública aparecidos nestes dias em Ciudad del Este, que mostravam o ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro humilhando uma pessoa vestida com a camisa Albirroja; o menosprezo à voz do povo boliviano, que mantém uma puja de grandes magnitudes com a cúpula do poder na nação vizinha, mediante extensas manifestações em busca de uma melhor qualidade de vida; o recente concerto do argentino Milo J em um show ultraconhecido dos Estados Unidos, e sua estética que –supostamente– não reflete a argentinidade.

Essas pílulas se unem a outros incontáveis exemplos, onde a óptica se centra nas aparências e em um modelo que enfatiza os traços físicos para potenciar desigualdades, sempre fixando a vista em ícones de beleza ou de perfis fortes, geralmente patriarcais e que pretendem impor respeito mediante a brutalidade e com zero raciocínio.

A preocupante onda de racismo e desprezo pelo distinto se impregna em quase todos os âmbitos; permeia culturas e já resulta pão de cada dia, sob o império ilusório de certa predestinação em que, se alguém nasceu "marrom" levará as de perder em sua luta cotidiana, frente a um entorno que se crê ariano e que brinda desdém para com o que não lhe parece similar.

Essas circunstâncias nos recordam a obra Civilização e barbárie, de Domingo Faustino Sarmiento, para quem o primeiro termo traduzia tudo que era europeu e o segundo plasmava a vida dos povos originários na Argentina do século XIX. Há uma realidade fragmentada que tentam instalar pensamentos xenófobos, e a essas mentes há que convidá-los a que estudem mais a história e os fenômenos antropológicos, que dão conta de outras dimensões, alheias à sua lógica.

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.

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