Sindicatos exportadores alertam sobre impacto econômico da apreciação do guaraní
Análise do impacto cambial
A Câmara Paraguaia de Exportadores (Capex) e a Câmara de Indústrias Sustentáveis do Paraguai (Cispy) apresentaram uma análise sobre o impacto econômico da apreciação do guaraní frente ao dólar. Um estudo técnico da Capex, baseado em informações do Banco Central do Paraguai (BCP) referente ao período entre agosto de 2025 e julho de 2026, estima que a taxa de câmbio reduziu os ingressos do setor em USD 2.342 milhões, cifra que representa aproximadamente 19 por cento do total exportado nesse período.
Apesar desses resultados, o Paraguai exportou 4,07 milhões de toneladas adicionais, o que significou um incremento de 27 por cento em volume. Não obstante, os ingressos expressos em guaraníes passaram de G. 81,97 bilhões a G. 81,89 bilhões, mantendo-se praticamente no mesmo nível do ano anterior. O aumento do volume exportado trouxe G. 22,38 bilhões adicionais, enquanto que a variação dos preços internacionais subtraiu G. 7,01 bilhões.
Os sindicatos assinalaram em seu comunicado que esta situação deve ser atendida antes que suas consequências comecem a refletir-se com maior intensidade no investimento, no emprego e no crescimento das exportações nacionais.
Impacto no setor de reciclagem
A Cispy divulgou informações sobre preços de produtos e sua redução devido à taxa de câmbio. Antonella Silvera, gerente geral da organização, indicou que o setor vem alertando sobre esta situação desde 2025 e salientou que a velocidade da apreciação do guaraní dificulta a capacidade de adaptação das empresas.
O sindicato apresentou um exemplo comparativo: uma exportação de USD 100.000 que com um dólar a G. 8.000 representava G. 800 milhões, com uma taxa de câmbio de G. 6.000 equivalem a G. 600 milhões.
De acordo com a executiva, o elo mais baixo da cadeia de valor está acusando o impacto mais direto. Os valores que recebem os recicladores pelos materiais recuperados diminuíram consideravelmente. No caso do plástico PET, utilizado em garrafas de água, o preço passou de aproximadamente G. 4.000 a G. 3.000 por quilo. Quanto à sucata ferrosa, o preço desceu de cerca de G. 1.500.000 a G. 1.200.000 por tonelada.
Proposta dos sindicatos
Silvera esclareceu que a posição do setor não consiste em solicitar que o BCP estabeleça artificialmente um determinado valor para a divisa. O pedido orienta-se para a geração de mecanismos que permitam suavizar a velocidade da apreciação do guaraní para que as empresas possam ajustar suas estruturas de custos, renegociar contratos e reorganizar suas operações.
Desde o Banco Central do Paraguai, por enquanto, não existe intenção de intervir na taxa de câmbio. As autoridades bancárias consideram que a desvalorização da divisa se registra em nível local devido a fatores naturais do mercado. A instituição reportou um incremento significativo na utilização da ferramenta conhecida como forward, um mecanismo que permite aos operadores econômicos protegerem-se ante as flutuações da taxa de câmbio.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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