Senado aprova documento que rejeita expressões de Lula e o remeterá ao Congresso brasileiro
A Câmara de Senadores aprovou com modificações e por unanimidade o projeto de declaração que "rejeita categoricamente" as expressões do mandatário brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, com relação à Guerra da Tríplice Aliança. O documento sustenta que as declarações de Lula distorcem fatos históricos. Instaram à relação amistosa com o país vizinho e a que o texto chegue com cópia aos demais poderes do Estado e também a informar ao Congresso do país vizinho.
No primeiro ponto do projeto se declara textualmente: "Rejeitar categoricamente as expressões do Presidente da República Federativa do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, que distorcem os fatos históricos relativos à origem e desenvolvimento da Guerra da Tríplice Aliança, omitindo a invasão do Império do Brasil e Uruguai, o desconhecimento da nota paraguaia de 30 de agosto de 1864 e as reiteradas intenções de mediação do Governo paraguaio".
No texto original se contemplava "repudiar energicamente", mas a pedido do senador Natalicio Chase, esta frase foi suprimida.
Se exorta, além disso, no quarto ponto do documento "às autoridades da República Federativa do Brasil a um tratamento respeitoso, equilibrado e verídico da história compartilhada, em prol de fortalecer as relações bilaterais, a integração regional e a construção de um futuro de paz e cooperação entre ambos os povos". Posteriormente, no último ponto, a informar inclusive ao Congresso Nacional da República Federativa do Brasil sobre a presente declaração.
Durante o estudo do projeto, apenas tomou a palavra a senadora Esperanza Martínez, que embora acompanhasse as expressões contra nosso país, as quais não se justificam de modo algum, instou a que o Estado brasileiro peça desculpas. Também criticou a indignação seletiva em particular dos colorados, deixando estabelecido que em ocasiões como a da denúncia da "ata secreta" sobre a tarifa de Itaipu no governo anterior de Mario Abdo Benítez e seu então par brasileiro, Jáir Bolsonaro, inclusive se pôde ter prejudicado mais o Paraguai.
"Vamos nos indignar por Lula, mas os que se indignam devem ter uma visão de sua histórica submissão a tudo o que se negociou contra o Paraguai e contra os interesses, e seguem em silêncio com relação ao que vai acontecer", expressou.
Assim mesmo, trouxe à colação que por mais que sejam desacertadas as expressões de Lula, recordou que ele em seu momento teve um gesto de cooperação com o Paraguai, fazendo alusão à histórica compensação ao Paraguai por sua energia que se triplicou no governo de Fernando Lugo.
Com relação à ata secreta, contestou o senador Ramón Retamozo dizendo que "a ata secreta de Mario Abdo e Bolsonaro ficou sem efeito".
Esperanza também não obvou a este governo e sua tíbia posição no tema, sublinhando que "deixou ao Congresso" o que deveria fazer Santiago Peña, a quem criticou por sua condescendência com o Brasil quando se trata de Itaipu e inclusive insinuou que as mudanças repentinas na ANDE são para "colocar a assinatura" para beneficiar interesses estrangeiros pelo que os alcunhou de vendepatrias.
Previamente ao estudo do projeto, os senadores haviam repudiado amplamente as expressões de Lula sobre nosso país.
O senador Eduardo Nakayama, um dos signatários do projeto, afirmou que eles se responsabilizam pelo que deveria ter feito o Executivo, sobre quem carregou com dureza.
"Eu manifestei em reiteradas ocasiões que o presidente (Santiago) Peña deveria ter..."
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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