Recomendam separar gestão de investimentos de fundos do IPS
Reforma de governança institucional
O economista César Paredes considera que o Instituto de Previsão Social (IPS) requer uma reforma de seu esquema de governança que permita separar a administração dos investimentos da gestão do sistema de saúde. O objetivo é profissionalizar o manejo dos fundos previdenciários, melhorar a rentabilidade das reservas e dotar a instituição de maior transparência.
As recomendações são apresentadas no marco do debate sobre as novas regulamentações que prepara a Superintendência de Pensões e Jubilações para fortalecer o governo corporativo das entidades previdenciárias.
Paredes apontou que atualmente um mesmo órgão toma decisões sobre questões sanitárias e financeiras, apesar de ambas as áreas exigirem conhecimentos e objetivos distintos. "O que resolve temas médicos está resolvendo temas financeiros", indicou.
Segundo o economista, a administração de um portfólio de investimentos de grande magnitude deve estar nas mãos de profissionais especializados em investimentos, riscos e mercados financeiros. A implementação de equipes técnicas e regulamentos claros reduziria os riscos na tomada de decisões e permitiria uma gestão mais eficiente dos recursos destinados a jubilações e pensões.
Diversificação de investimentos
Paredes também apontou que o IPS não conseguiu uma diversificação integral de seus investimentos, apesar do previsto na Lei Nº 7235 do Sistema Nacional de Jubilações e Pensões.
Explicou que a instituição diversificou os recursos por tipo de instrumento financeiro, mas não por nível de risco, o que resultou em uma elevada concentração dentro do sistema financeiro.
O economista recordou que, com a entrada em funcionamento da Superintendência de Pensões e Jubilações, o IPS precisou adequar algumas de suas inversões após o organismo emitir uma interpretação sobre os limites estabelecidos na normativa vigente. Segundo Paredes, a existência de um regulador proporciona maior clareza jurídica e contribui para fortalecer a supervisão do sistema.
Separação de gestões
Outro dos questionamentos do economista aponta para diferenciar claramente a administração das reservas previdenciárias da gestão do sistema de saúde.
Paredes explicou que frequentemente a cidadania relaciona diretamente o rendimento dos investimentos com as dificuldades que enfrenta o serviço médico do IPS quando ambos os âmbitos respondem a objetivos distintos. A separação permitiria avaliar com maior precisão o desempenho financeiro do fundo de jubilações e transparentar os resultados dos investimentos, enquanto as necessidades do sistema de saúde poderiam ser analisadas com seus próprios indicadores e fontes de financiamento.
Paredes considerou que o volume de recursos administrados pelo IPS exige uma estrutura técnica muito mais robusta que a atual.
Manejo profissional de fundos
O economista indicou que um portfólio desse tamanho requer especialistas dedicados às análises de riscos, liquidez, diversificação e oportunidades de investimento, similares aos equipes com que contam as principais entidades financeiras. Um marco regulatório mais desenvolvido, acompanhado de políticas de investimento claramente definidas, outorgaria maior segurança aos responsáveis por administrar os fundos e facilitaria uma gestão orientada a obter melhores rendimentos sem descuidar dos níveis de risco.
Finalmente, Paredes colocou a conveniência de fomentar uma maior competência na administração de fundos previdenciários, o que permitiria comparar resultados entre distintos administradores e gerar incentivos para melhorar a eficiência e a rentabilidade dos recursos destinados ao pagamento de futuras jubilações.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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