Cepal insta a priorizar o crescimento econômico ante incerteza global
Em um contexto de incerteza e instabilidade geopolítica mundial, a Comissão Econômica para América Latina e o Caribe (Cepal) exorta os países da região a se focarem no fortalecimento do crescimento econômico para contrarrestar os choques externos cada vez mais frequentes e quase contínuos.
O secretário executivo da Cepal, José Manuel Salazar-Xirinachs, expressou que essa prioridade transcende as orientações políticas dos governos. "Sejam de esquerda ou de direita, o importante é que os Governos deem muita prioridade ao crescimento econômico", apontou o economista após a divulgação de um informe do organismo que analisa os impactos regionais do conflito no Oriente Médio.
Importância do crescimento para políticas sociais
De acordo com Salazar-Xirinachs, um crescimento econômico dinâmico e robusto é fundamental para que os governos contem com os recursos fiscais necessários para financiar sistemas de proteção social efetivos e amortecer os efeitos das crises sobre as populações mais vulneráveis.
A região enfrenta atualmente uma armadilha de baixa capacidade para crescer. Durante a década 2014-2024, a América Latina registrou um crescimento médio de apenas 0,9%, período que a Cepal caracteriza como uma "década perdida" em termos de expansão econômica.
Projeções para 2025 e 2026
O crescimento regional alcançou 2,4% em 2025. Para 2026, a Cepal projeta uma expansão de 2,2%, embora adverta que essa estimativa poderia ser revisada para baixo nos próximos meses se a situação no Oriente Médio se deteriorar, particularmente se Estados Unidos e Irã não chegarem a um acordo e persistirem as hostilidades, incluindo o eventual fechamento do Estreito de Ormuz.
Lições do contexto global
O secretário executivo da Cepal identifica duas lições-chave do cenário internacional atual: a necessidade de considerar com maior atenção as dinâmicas da economia global, e a urgência de que a América Latina reative seu crescimento econômico de dentro para fora, sem depender exclusivamente da melhora dos mercados globais ou dos preços das matérias-primas.
Salazar-Xirinachs salienta que o contexto atual transformou as relações entre o setor privado e os governos. "Agora o setor privado em muitos casos se encontrará com barreiras de diplomacia comercial e terá que dialogar mais com seu governo", explicou.
Impacto regional apesar de menor exposição direta
Embora a América Latina e o Caribe tenha uma exposição menos direta aos conflitos do Golfo Pérsico em comparação com a Ásia ou a Europa, e gere mais de 64% de sua eletricidade a partir de fontes renováveis, os efeitos da instabilidade regional se projetarão ao longo de todo 2026.
Em seu informe, a Cepal assinala que mesmo em caso de uma redução das hostilidades, não se esperaria uma normalização imediata da situação econômica e geopolítica.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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