Rabobank projeta queda de 2% na produção mundial de carne e forte redistribuição do comércio
O mercado mundial de carne bovina transitará durante 2026 um cenário de menor oferta, preços firmes e uma crescente redistribuição dos fluxos comerciais, como consequência das restrições e mudanças de acesso em alguns dos principais mercados internacionais.
Rabobank projeta que a produção global de carne bovina cairá cerca de 2% interanual este ano.
De acordo com as estimativas do último relatório trimestral de Rabobank, divulgadas por FXCM, a contração produtiva seria ainda mais pronunciada durante a segunda metade do ano, quando se espera uma redução de entre 2% e 3% em relação ao mesmo período de 2025.
O banco sustenta que a menor disponibilidade de carne está coincidindo com importantes disrupções comerciais que começam a modificar o mapa exportador. China aparece novamente no centro dessa dinâmica, particularmente pelo funcionamento de seu sistema de cotas de importação e o impacto que gera sobre dois de seus maiores fornecedores: Brasil e Austrália.
No caso australiano, as exportações para a China registraram uma forte redução desde junho depois de alcançar o limite estabelecido para seus embarques. Para o Brasil, Rabobank antecipava um cenário similar conforme suas exportações se aproximavam do volume disponível dentro do esquema aplicado pelo mercado chinês.
Este processo adquire especial relevância pelo peso que a China tem dentro do comércio brasileiro de carne bovina. Durante 2025, o gigante asiático absorveu cerca de 48% do volume total exportado pelo Brasil, tornando-se amplamente o principal destino da produção brasileira destinada ao exterior.
Para Rabobank, uma redução das colocações brasileiras para a China obriga a redirecioná-las para mercados alternativos, aumentando a competição em determinados destinos e modificando os diferenciais de preços entre mercados. Ao mesmo tempo, as limitações comerciais representam um desafio para a indústria brasileira, que vem operando com níveis historicamente elevados de produção e exportação.
A este cenário se agrega a situação do Brasil com a Europa. O relatório menciona que as dificuldades de acesso ao mercado europeu podem aprofundar a necessidade de redistribuir produto para outros destinos, gerando uma maior pressão comercial em mercados que também são relevantes para outros exportadores sul-americanos.
Porém, Rabobank considera que o próprio mercado pecuário brasileiro poderia começar a gerar um mecanismo de ajuste. Uma eventual queda do preço do gado poderia estimular uma maior retenção de animais por parte dos produtores, reduzindo posteriormente a oferta disponível para abate. Essa resposta produtiva permitiria compensar parcialmente uma eventual diminuição das exportações.
Em termos gerais, a menor produção...
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do AgroRural Paraguay.
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