Paraguai e seus profetas do dia depois
A França passou às quartas de finais com um penal polêmico que o VAR marcou, e não foi a máquina esmagadora que a maioria dizia que seria, considerando seus partidos anteriores nos quais converteu 3 gols em seus dois primeiros confrontos contra Senegal e Iraque e 4 no último jogo da fase de grupos ante a Noruega.
O Paraguai, por sua parte, havia começado com o pé esquerdo perdendo 4 a 1 para a anfitriã Estados Unidos, o que deixou uma má imagem que despertou a polêmica de críticos no país que transformaram o técnico Gustavo Alfaro de "caçador de utopias" em "o grande vendilhão de ilusões".
A Seleção conseguiu se recuperar com o heroico jogo contra a Turquia com o gol precoce de quem se converteria a partir daquele momento no herói e guerreiro nacional, Matías Galarza, a quem dias antes certos jornalistas paraguaios acusavam de não estar animicamente em condições de jogar por sua situação particular no River Plate.
Galarza jogou com alma e vida em todos os partidos em que atuou e foi uma das principais figuras que elevou o nível do time, assim como o goleiro Orlando Gill e outros que estiveram à altura e deram tudo de si. Poucos jogadores conseguiram se contagiar deste grande espírito e o Paraguai pagou pela falta de banco e pelas lesões de vários, e isso já se podia sentir no empate sem gols vivido contra a Austrália e que revigorou as críticas a Alfaro.
Ainda assim, a Seleção deixou em alto os cores da camisa, conseguindo a façanha contra a Alemanha que já ficará na história dos mundiais por toda a eternidade, e embora tenha caído contra a França, remontando àquela derrota do Mundial de 98, desta vez os jogadores não terminaram no chão lamentando, mas continuaram reclamando ao árbitro e empurrando os franceses como se o jogo não tivesse terminado ainda.
Posteriormente, os jogadores paraguaios fizeram declarações orgulhosos de como enfrentaram com dignidade a poderosa Seleção Francesa, que mostrou seu nervosismo e vulnerabilidade, ao ponto de também não conseguirem tirar a armadura de batalha e expressão de guerra ao terminar o jogo, e isso se notou com os gritos de Mbappé e a saudação que negou ao heroico goleiro paraguaio.
A imprensa francesa acusou o árbitro de permitir que o Paraguai marcasse com força as "intocáveis estrelas francesas" e de advertir apenas os jogadores franceses, enquanto a imprensa sul-americana falou da dubiedade do penal e ressaltou a entrega do time paraguaio.
Agora toca virar a página, a Associação Paraguaia de Futebol (APF) deverá tomar uma decisão a respeito da continuidade ou não do técnico Gustavo Alfaro, que foi alvo de todo tipo de manifestações tanto a favor quanto contra, e é aqui que entram em jogo "os profetas do dia depois", aqueles que com o jornal do dia seguinte se põem a analisar e dizer o que se deveria ter feito e o que não.
O Paraguai está cheio dessa classe de sujeitos em todos os âmbitos: no político, no econômico, no desportivo, etc., etc., e em geral, costumam agir com muita soberba e desprezo pelo trabalho de quem esteve ali no dia anterior.
Alfaro se deixou levar pela "ilusão" e "fantasia" de chegar longe em uma competição onde após os respectivos "baldezos de fria realidade" terminou sublinhando as grandes limitações que tem uma Seleção que vem "da terra vermelha".
O Paraguai competiu com o que teve e deixou uma boa imagem, caindo com altura e mostrando sua "garra guarani", mas ainda há muito a construir e a sincerar para não cair em fantasias que terminam em decepção, e isto é perfeitamente comparável com a própria realidade nacional. Não somos nenhum "gigante adormecido" e não é motivo de orgulho que nossos jogadores precisem vender seu uniforme para custear despesas médicas de seus filhos. Ver a realidade de frente e enfrentá-la deve nos ajudar a crescer em todos os sentidos.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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