O manifesto de 4 de julho
Uns anos antes da Revolução Francesa, em 4 de julho (data do meu aniversário), mas de 1776, há 250 anos, os Estados Unidos se independizavam da Inglaterra e, como dizia Benjamin Franklin, estavam "construindo e buscando manter uma República, se pudéssemos". Gosto dos EUA, sempre me lembro de Paul Revere, que conquistou a confiança dos colonos para formar um time e lutar contra os ingleses com sua famosa cavalgada na madrugada de 18 de abril de 1775. Que estes dois exemplos sirvam para nós paraguaios, disciplinados por Stroessner com quem, quando nos juntávamos para qualquer coisa, vinha a Polícia nos dizer "circule, o que estão fazendo aqui, conspirando". Somos uma nação sem empresas de capital aberto que emitam equity, ninguém confia no outro, sem governança corporativa, sem confiabilidade e associativismo.
É lógico que os que não conseguem se juntar – e fazer uma defesa permanentemente sólida, um meio-campo engenhoso e um ataque virtuoso – para aumentar o imposto seletivo ao tabaco ou para se opor a Rivas com título duvidoso, percam ante a França. É previsível que os que mentem e são observados pelo FMI no déficit fiscal de 4% do PIB (que não é 2% como diz o presidente) devam aguentar por um tempo para depois mostrar a realidade nos resultados. É impossível que uma sociedade de único líder – que reina e governa sobre o Executivo, Legislativo e mais ainda sobre o Judiciário – ganhe dependendo de poucas figuras que são insuficientes para vencer as competições. Pedimos a Enciso, sozinho na frente, que seja corajoso e que não se desanime ante os poderosos defensores, exigimos a Gill que não se acovarde ante o ataque dos franceses e bem que o fez ante a Alemanha, mas ficamos calados ante as denúncias não esclarecidas de uma Sra. Cadeado ante a máfia dos promissórios, ante os assaltos nas binacionais e ante supostos narcopolíticos como o deputado Erico, que teve como defensor por um bom tempo o titular do executivo.
Estávamos tão felizes quando vencemos a Alemanha. E aí, conversando com meu amigo Hugo Duarte, cientista político, surgiu a pergunta. Em que mundo o Paraguai consegue ganhar da Alemanha? Só no futebol. É impossível na ciência, na educação e no desenvolvimento humano. Com a bola nos juntamos e lutamos ordenadamente como time. Só no futebol temos estratégia e apelamos a uma tática específica em cada partida. Este tipo de vitória ante a Alemanha foi e é um fenômeno cultural que devemos transferir a outras dimensões da vida paraguaia. Nos deu a sensação de que as barreiras são fictícias. Que bom foi esse momento! O sistema e os poderosos que o manejam não querem se enfrentar com times organizados. Preferem negociar um a um, gostam da jogada individual, indivíduos isolados ante o poderoso para ganhá-los um a um. A oposição que é maioria em votos se engana a cada eleição.
Urge conformar times para enfrentar ao capitalismo de sequazes, sem mercado e sem competência, e ao primitivismo produtivo, estes nos fazem perder no mundo competitivo. Chegou a hora de mitigar o déficit infraestrutural físico e social, em educação, saúde, energia, habitação e transporte, entre outros. É o momento do desenvolvimento humano. Basta de frustrações. Este artigo é meu manifesto pelo dia do meu aniversário. Saudações cordiais!
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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