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Economia

Pagamento mínimo de cartão de crédito: quando é uma ferramenta útil

28/07/2026 02:45 4 min lectura 24 visualizações

Pagamento mínimo: quando funciona como estratégia

O pagamento mínimo do cartão de crédito costuma ser interpretado como uma solução que perpetua a dívida. No entanto, a especialista em finanças pessoais Adriana Bock sustenta que essa ideia nem sempre é correta e que, utilizada de forma estratégica, pode ajudar a atravessar períodos de falta de liquidez sem cair em atraso.

A principal condição para que essa estratégia funcione é deixar de utilizar o cartão uma vez que se opta pelo pagamento mínimo. Nesse cenário, a dívida começa a reduzir-se de maneira gradual até ser cancelada completamente.

Se você paga o mínimo, sua dívida vai diminuir, mas você não deve usar mais o cartão. Paga o mínimo e, a partir de aí, todos os meses você continua pagando até cancelar, mas não o use mais
, apontou Bock em uma entrevista no programa Letras Chicas, de Última Hora.

O verdadeiro problema: continuar comprando

Segundo a especialista, o verdadeiro problema aparece quando o usuário paga o mínimo, ou até mesmo um montante superior, e continua realizando compras com o mesmo plástico.

Há pessoas que dizem que sempre pagam mais do mínimo e a dívida mesmo assim não diminui. Claro, se o mínimo era G. 200.000, você pagou G. 500.000, mas depois gastou G. 600.000, então a dívida cresce
.

Por isso, a regra mais importante não é apenas pagar mais do mínimo, mas gastar menos do que se abona. A recomendação é clara: se há possibilidade de pagar mais do mínimo, faça-o, mas sempre utilizando menos do que se pagou.

Pagamento mínimo em momentos de dificuldade econômica

Em períodos de dificuldades econômicas, pode ser mais conveniente pagar apenas o mínimo e reservar o resto do dinheiro para cobrir necessidades básicas como alimentação, transporte, medicamentos ou serviços. Caso contrário, uma pessoa poderia destinar toda sua renda ao pagamento do cartão e ficar sem dinheiro na metade do mês, obrigando-se novamente a recorrer ao crédito.

O pagamento mínimo pode ser uma ferramenta temporária para evitar entrar em atraso, desde que vá acompanhado da suspensão total do uso desse cartão.

Indicadores de endividamento saudável

Bock explicou que o endividamento é administrável enquanto o pagamento das dívidas não supere 25% dos ingressos disponíveis. Esse percentual permite distribuir o resto do orçamento entre despesas essenciais e uma margem para poupança ou imprevistos.

A proposta de distribuição recomendada é a seguinte:

45% para despesas fixas: incluindo 25% destinado a dívidas e 20% para habitação e serviços.

45% para despesas variáveis essenciais: como alimentação, transporte e medicamentos.

10% para poupança ou imprevistos.

Níveis de superendividamento

Quando as dívidas superam 25% do ingresso disponível começam a deslocar recursos destinados a necessidades básicas ou à poupança. Entre 25% e 35%, o superendividamento ainda pode corrigir-se mediante um ajuste rigoroso do orçamento e a redução temporária de gastos não essenciais.

No entanto, quando o peso das dívidas supera 40% ou 50% dos ingressos, Bock considera que a situação torna-se crítica e recomenda buscar ajuda profissional para reorganizar as obrigações financeiras.

Sinais de alerta financeiro

Além do percentual de endividamento, Bock identificou alguns indicadores de que as finanças pessoais estão sob pressão:

  • Recorrer ao cartão de crédito para comprar alimentos ou pagar serviços básicos porque o dinheiro se termina antes do fim do mês.
  • Entrar no chamado efeito bicicleta, onde se pagam as contas mas depois é necessário voltar a se endividar para cobrir os gastos correntes.
  • Experimentar estresse ou dificuldades para dormir devido à preocupação com as dívidas.

O contexto do superendividamento

A situação de endividamento excessivo não é unicamente responsabilidade do consumidor. O contexto econômico, a perda de emprego, emergências médicas ou familiares e até mesmo a forma como o sistema financeiro oferece crédito de fácil acesso são fatores que contribuem para que muitas pessoas se vejam atrapalhadas pela dívida.

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.

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