Pacientes renais do IPS também denunciam falta de medicamentos no Hospital de CDE
Associação alerta sobre desabastecimento de eritropoetina há dois meses
Adolfo González, presidente da Associação de Pacientes Renais do IPS, denunciou que há aproximadamente dois meses os segurados da previsional em Ciudad del Este enfrentam o desabastecimento de medicamentos indispensáveis para acompanhar seu tratamento de hemodiálise.
Na unidade da capital departamental recebem tratamento atualmente 122 pacientes, que devem acudir três vezes por semana às sessões de hemodiálise, com duração aproximada de quatro horas cada uma.
Para muitos deles, a falta de determinados medicamentos representa uma preocupação que vai muito além de uma simples carência de estoque.
González apontou que um dos fármacos que mais preocupam é a eritropoetina, utilizada para combater a anemia associada à doença renal.
O medicamento, segundo explicou, tem um custo aproximado de G. 400.000 por unidade e, ante a ausência de provisão por parte do IPS, um paciente poderia precisar desembolsar cerca de G. 1.200.000 por semana.
"Quem tem neste momento G. 1.200.000?", questionou González ao referir-se à situação econômica dos segurados. Para as famílias que dependem exclusivamente de seus ingressos habituais, assumir esse gasto semanal resulta praticamente impossível.
O dirigente recordou que recentemente chegou ao serviço um lote reduzido do medicamento, de cerca de 15 ou 20 caixas, segundo estimou, mas o suprimento se esgotou rapidamente. Agora, os pacientes novamente encontram-se sem uma provisão regular.
González esclareceu que os pacientes não necessariamente abandonam as sessões de diálise pela falta do medicamento, mas advertiu que a interrupção ou atraso na aplicação da eritropoetina pode provocar uma diminuição dos níveis de hemoglobina.
Isso, sustentou, pode gerar complicações que terminam afetando órgãos vitais, especialmente o coração.
"A maioria já sente o efeito", afirmou o presidente da associação, que foi mais contundente ao referir-se ao risco que representa a situação.
"Claro que sua vida está em perigo", manifestou.
A preocupação aumenta porque, enquanto o serviço de Ciudad del Este enfrenta o desabastecimento, González assegura que no IPS Central de Asunción existe disponibilidade do medicamento.
O dirigente questionou que, ante uma necessidade que considera urgente, se pretenda recorrer a processos de licitação que podem estender-se durante semanas. Segundo explicou, a licitação prevista contempla um prazo de cerca de 45 dias, enquanto os pacientes precisam de uma resposta imediata.
"Nestes casos tem que ser rápido, curto, 30 dias ou 15 dias", reclamou.
González indicou que manteve conversações com autoridades do IPS e que o gerente de Saúde, doutor León, comprometeu-se a gerir o envio de um novo lote de medicamentos. Porém, o dirigente manifestou cautela devido a promessas anteriores que, segundo afirmou, não se concretizaram.
Também recordou que anteriormente havia recebido o compromisso de que os medicamentos não faltariam na instituição, mas sustentou que a realidade que enfrentam os pacientes em Ciudad del Este demonstra o contrário.
"Até agora nós não temos medicamentos", afirmou.
Uma alternativa para os pacientes seria gerir o medicamento diretamente no IPS Central, mas González apontou que tampouco se trata de uma solução simples.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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