Os frigoríficos operaram a 46% de sua capacidade em maio e o mercado voltou a mostrar sinais de tensão
A indústria frigorífica paraguaia elevou seu nível de atividade durante maio, mas os números deixaram a descoberto uma realidade cada vez mais evidente no mercado pecuário atual: quando os frigoríficos aumentam a pressão de compra, os preços do gado reagem rapidamente; em um contexto de oferta mais limitada e alta demanda global por carne.
Segundo o Painel de Abate elaborado pela Comissão de Carne da Associação Rural do Paraguai (ARP), durante maio foram processados 143.866 bovinos, com uma utilização de capacidade industrial de 46%. O volume representou um incremento de 38.551 cabeças em relação a abril, equivalente a um crescimento de 37%.
A recuperação foi significativa se comparada com abril, mês em que o abate havia caído a 105.315 animais e a utilização de capacidade se havia situado em apenas 32%. Porém, o dado adquire outra dimensão quando analisado junto com o comportamento dos preços do gado durante as últimas semanas.
À medida que algumas indústrias incrementaram seu nível de atividade para atender compromissos comerciais e necessidades de abastecimento, o mercado começou a mostrar maior firmeza. A pressão de compra aumentou e os valores do gado gordo voltaram a se fortalecer, confirmando a sensibilidade que hoje apresenta a oferta pecuária paraguaia.
Os números refletem que a indústria continua operando abaixo de seu potencial. Entre janeiro e maio os frigoríficos exportadores utilizaram em média 44% de sua capacidade instalada, processando 718.547 bovinos, um volume 27% inferior ao registrado no mesmo período de 2025.
Porém, interpretar esta situação unicamente como um problema de escassez de gado seria simplificar uma realidade mais complexa. Durante boa parte do ano o mercado conviveu com uma demanda internacional firme por carne paraguaia, mas também com uma indústria que buscou administrar o ritmo de compra e a utilização de capacidade em um contexto de oferta restringida.
O ocorrido em maio deixou um sinal claro: quando aumentou a atividade industrial e se intensificou a busca por gado, os preços responderam rapidamente. O comportamento do mercado mostrou que o equilíbrio atual continua sendo frágil e que pequenas mudanças na demanda dos frigoríficos podem gerar movimentos importantes nos valores do rebanho.
Em nível de utilização de capacidade durante maio, Frigochaco liderou com 71%, seguida por Frigorífico Neuland com 69%, FrigoChorti com 63%, Victoria com 60% e Minerva (como grupo) com 59%. No outro extremo se situaram Frigorífico Concepción com 8% e Las Lazos com 30%.
Além dos percentuais, a principal mensagem que deixa o mês é que a cadeia carníssima paraguaia continua enfrentando o desafio de gerar mais oferta pecuária em um cenário onde a demanda internacional permanece ativa e a indústria mantém capacidade para processar maiores volumes.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do AgroRural Paraguay.
Nossa equipe editorial trabalha para oferecer informação clara, completa e atualizada para o leitor brasileiro.