Os bons preços do gado garantem bons negócios? A análise de Riffel e Guerreros
Elaborado por Ing. Agr., M. Sci. Sebastián L. Riffel e Ing. Zoot., MBA Gustavo Guerreros para Valor Agro
Esclarecimento técnico inicial: o modelo produtivo desenvolvido nesta análise se baseia exclusivamente em um esquema de pastejo rotativo intensivo sobre pastagens de Gatton Panic, contemplando uma suplementação proteica sobre diferidos durante o inverno (120 dias) baseada no uso de proteína verdadeira, rigorosamente adaptada às transições climáticas do Chaco paraguaio.
Os preços atuais do gado estão nos máximos históricos se os medirmos em termos de dólares/kg, o que é uma boa notícia para os pecuaristas. Porém, os altos preços do gado não garantem necessariamente um bom resultado econômico do negócio, já que o mesmo depende de vários fatores.
Generalmente, o pecuarista construiu suas expectativas de rentabilidade olhando para o final da cadeia. O preço da indústria dita sentença, e um gordo terminado cotizando a USD 2,86/kg Peso Vivo (5,2 USD/Carcaça) frequentemente gera a falsa ilusão de que o sistema está blindado se o número "parece razoável".
Porém, por que olhar unicamente a cotização de saída engana o produtor se não observa primeiro o preço de ingresso do desmamante, hoje posicionado em níveis de USD 3,93/kg?
A pecuária paraguaia, assim como no resto do Cone Sul, atravessa uma brecha de mercado contundente: a reposição está estruturalmente cara e o animal terminado, em termos relativos, está barato. Este "efeito tesoura", chamado relação de compra/venda, é atualmente negativo e pode pulverizar a margem do negócio, ao menos naqueles plantios de especulação passiva. Hoje, o sucesso não reside em esperar um rebote no preço do gordo, mas em ser sumamente eficientes dentro da porteira com o fim de maximizar a produção de quilos e minimizar os custos fixos sobre uma mesma base de recursos.
Negócio 1: a recria a pasto e a diluição
Frente a um cenário de desmamantes de alto custo, o produtor adquire uma categoria que, na relação de intercâmbio, representa uma "perda virtual" no dia 1. A única estratégia matemática e biologicamente viável para liquefazer essa assimetria de preços é meter muitos quilos a pasto, da maneira mais rápida e econômica possível.
A terra, a infraestrutura, os salários e a manutenção de pastagem custam o mesmo haja 100 ou 300 cabeças no pasto. Ao analisar a transição de um sistema extensivo tradicional (1,0 cab/ha) para um intensivo (3,0 cab/ha), o impacto é radical: o custo fixo da estrutura do campo desaba de USD 39,34 por cabeça para apenas USD 13,11.
Um erro crônico nas empresas agropecuárias mistas é subsidiar ineficiências de um elo com o outro. Resulta vital separar os balanços. A recria não passa o animal de graça ao confinamento em um passe mágico; vende-o internamente ao preço real de mercado.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do AgroRural Paraguay.
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