Opositora avisa que emergência viária é cheque em branco
Senadora critica projeto aprovado no Senado que flexibiliza compras diretas sob justificativa de segurança
A senadora opositora Esperanza Martínez criticou duramente o projeto de lei que declara em situação de emergência nacional a segurança viária, aprovado na sessão da Câmara Alta, ontem.
Qualificou a proposta como um "discurso comovente mas falso", que utiliza a dor dos sinistros viários como desculpa para habilitar compras diretas e discricionárias em pleno ano eleitoral.
A legisladora lamentou que se pretenda usar as trágicas cifras de mortes e sequelas por acidentes de trânsito para induzir o Congresso a um raciocínio incorreto. Recordou que a falta de educação viária não é um problema novo no Paraguai.
"Acaso encurtar uma licitação de seis para três meses vai mudar a cultura dos paraguaios que atravessam na cor vermelha ou dirigem sem registro? Por favor, peço que se respeite nossa capacidade de raciocínio", fustigou Martínez, quem insistiu em que o problema de fundo não será resolvido flexibilizando os controles de compras estatais.
Para a senadora, o verdadeiro pano de fundo do projeto se esconde em seu artigo 2°, ao qual qualificou como a "pequena joia" da lei: a autorização para que a Agência Nacional de Trânsito e Segurança Viária (ANTSV) adote medidas administrativas excepcionais.
Martínez denunciou que isto não é mais que uma via livre para saltar os prazos legais de contratação pública e adquirir tecnologia à medida de fornecedores pré-selecionados.
"Estamos em uma economia de guerra e aparece um projeto para que um funcionário compre tecnologia com total discricionariedade. Estou quase certa de que os nomes dos fornecedores já estão definidos", advertiu.
Martínez questionou diretamente a gestão da ANTSV, exigindo que a instituição preste contas sobre qual era seu plano estratégico para este 2026, quanto executou no primeiro semestre e quanto orçamento real destinou à educação cidadã antes de pedir superpoderes de compra.
O senador Natalicio Chase apontou ao justificar a iniciativa, que a proposta busca constituir-se em uma ferramenta normativa orientada a combater os elevados índices de sinistralidade registrados no sistema viário do país.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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