Filizzola critica discurso de "reivindicação histórica" dos EUA com Cartes
O progressista Rafael Filizzola rejeitou o discurso do cartismo que apresenta o levantamento das sanções contra o ex-presidente Horacio Cartes como uma "reivindicação histórica". Afirmou em diálogo com a rádio Monumental 1080 AM que essa interpretação não se sustenta, já que, a seu critério, a política externa paraguaia de dizer "sim a tudo" aos Estados Unidos sem obter contrapartidas favoreceu interesses particulares.
Sustentou que não é a primeira vez que uma administração estadunidense atua privilegiando interesses políticos em outros países e advertiu que o custo para o Paraguai é elevado, porque esse alinhamento enfraquece as relações com aliados estratégicos da região.
Como exemplo, mencionou que o Paraguai ainda não logrou encerrar com Brasil e Argentina as negociações sobre o aproveitamento da energia hidrelétrica nem o Anexo C de Itaipú. Recordou que durante o governo de Fernando Lugo alcançaram-se avanços importantes graças ao respaldo político do presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, que assumiu um custo político interno para fortalecer a relação bilateral.
Filizzola insistiu que o Paraguai deve manter boas relações com os Estados Unidos por sua relevância internacional, mas destacou que a política externa deve se sustentar na reciprocidade.
"Se vamos pactar com os Estados Unidos, como com qualquer outro país, tem que haver também benefícios para o Paraguai e esses benefícios não podem ser simplesmente branquear uma pessoa", precisou.
Recordou também que Cartes nunca compareceu perante a comissão investigadora criada no Congresso durante o período legislativo anterior.
Sobre a decisão dos Estados Unidos de retirar as sanções, sustentou que se tratou de uma determinação política da atual administração estadunidense e não de uma conclusão judicial.
"A decisão que eles tomaram é uma decisão política, uma decisão de política externa deste governo em particular", acrescentou.
Adicionou que historicamente a política externa dos Estados Unidos foi estável, embora tenha considerado que essa situação mudou com o primeiro governo de Donald Trump. Não obstante, esclareceu que nunca compartilhou a intervenção de outros Estados em assuntos internos paraguaios, já que, segundo afirmou, qualquer investigação sobre Cartes deve ser desenvolvida no Paraguai.
Nesse contexto, questionou o volume de produção de cigarrillos vinculado ao grupo empresarial do ex-mandatário e sustentou que não encontra explicação para tal nível de fabricação considerando o tamanho do mercado paraguaio.
"A única explicação que se pode dar é que isso faz parte de um processo montado a nível continental de contrabando de cigarrillos, vinculado a outras atividades", indicou.
Filizzola também voltou a questionar a falta de avanços na investigação sobre o denominado avião iraniano e sustentou que esse caso nunca foi esclarecido no Paraguai, apesar das suspeitas que gerou na ocasião.
Tilda de "férias caras" a missão de Leite
O senador opositor reafirmou que a substituição de um embaixador implica gastos milionários para o Estado, entre repatriação, instalação e salários, por isso estimou que a passagem de Gustavo Leite como embaixador em Washington custou "mais de G. 2000". A seu critério, esse dinheiro financiou uma agenda "nem sequer partidária, mas de um movimento interno".
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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