O segundo ponte com Foz se tornou trincheira de caminhoneiros brasileiros
Conflito sobre uso da Ponte da Integração vai à Comissão Mista Brasil-Paraguai nesta quarta-feira
O conflito pelo uso da Ponte da Integração chegará na quarta-feira, 12 de agosto, à Comissão Mista Brasil-Paraguai. Os representantes de ambos os países deverão buscar uma solução para o reclamo dos caminhoneiros brasileiros, que exigem autorização para utilizar durante o dia a nova conexão entre Foz de Iguazú e Presidente Franco.
Atualmente, os caminhões brasileiros de grande porte só podem cruzar durante a noite e sem carga. A situação mudou na semana passada quando o Paraguai habilitou durante o dia a passagem de caminhões paraguaios de pequeno e médio porte incluídos no sistema de despacho menor.
A medida provocou reação imediata dos transportistas brasileiros. Questionam que os caminhões paraguaios possam circular de dia enquanto suas unidades permanecem restritas. O reclamo resultou em um protesto na cabeceira da ponte e obrigou a suspender temporariamente o regime de circulação dos veículos paraguaios. Cerca de 40 caminhões tiveram que retornar ao país e voltar a utilizar a Ponte da Amizade. O protesto foi encerrado com o compromisso de levar o reclamo à Comissão Mista.
Os caminhoneiros brasileiros pretendem que os caminhões de grande porte possam cruzar durante o dia, tanto carregados quanto vazios. Também reivindicam melhores condições nos acessos e nas zonas de espera, com sanitários, água potável e maior segurança para os condutores.
IMPASSE. O pedido enfrenta uma limitação concreta do lado paraguaio. A Ponte da Integração está concluída, mas as obras necessárias para receber todo o tráfego pesado ainda não estão.
O principal problema é a ponte sobre o rio Monday, uma obra chave do Corredor Metropolitano do Leste que registra apenas 42% de avanço.
Enquanto essa infraestrutura não estiver concluída, ampliar o tráfego pesado pela passagem internacional poderia trasladar o congestionamento diretamente para a zona urbana de Presidente Franco. O objetivo do novo corredor é precisamente evitar esse cenário.
A ponte sobre o Monday permitirá tirar os caminhões do centro urbano de Presidente Franco e conectar a nova via internacional com o sistema viário do Leste. Sem essa conexão concluída, o aumento do tráfego poderia gerar um gargalo nos acessos.
O Ministério de Obras Públicas e Comunicações (MOPC) mantém os trabalhos durante as 24 horas, com equipes em turnos diurnos e noturnos.
Atualmente, estão sendo executadas tarefas de cimbra aérea para os aduelas e trabalhos de fôrmas deslizantes.
A ponte terá 500 metros de comprimento e 26,5 metros de largura. Contará com quatro pistas de 3,60 metros, acostamentos com defensas tipo New Jersey, além de calçadas e ciclovias em ambos os lados. A obra está a cargo do Consórcio Ponte Monday e é fiscalizada pelo Consórcio JYI, dentro do contrato do MOPC para as vias de acesso à Ponte da Integração.
A Ponte da Integração foi construída para descongestionar a Ponte da Amizade. Mas enquanto a ponte sobre o Monday permanecer com menos da metade de sua execução, abrir completamente o tráfego pesado durante o dia poderia significar apenas trasladar o congestionamento de um ponto fronteiriço a outro. A Comissão Mista deverá definir se existe margem para flexibilizar as restrições ou se será necessário mantê-las até que as obras complementares permitam absorver o fluxo de caminhões.
GRANDE EXPECTATIVA. O setor empresarial de Foz de Iguazú e Ciudad del Este aguarda com expectativa a habilitação total da segunda ponte, uma infraestrutura considerada estratégica para ampliar a capacidade de circulação de pessoas e mercadorias entre ambos os países.
O empresário brasileiro Ederson Muffato sustentou que o empresariado da região espera com impaciência a abertura da nova conexão.
"A expectativa é muito grande. Não temos dúvidas de que isso ajudará muito, tanto no trânsito de pessoas quanto...
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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