Brasil poderia somar 114 mil toneladas de carne nos EUA aproveitando nova janela de importação
Brasil aparece cada vez mais bem posicionado para aproveitar a janela extraordinária de importação de carne bovina habilitada pelos Estados Unidos. Uma nova estimativa da Agrifatto projeta que o país poderia incrementar cerca de 114 mil toneladas equivalente carcaça (TEC) suas exportações ao mercado estadunidense entre setembro e novembro, período de vigência da medida.
A projeção foi apresentada por Lygia Pimentel, diretora da Agrifatto, em uma análise publicada pela The AgriBiz. Segundo a consultora, esse crescimento representaria um salto de 214% frente ao volume exportado por Brasil aos Estados Unidos durante o mesmo trimestre de 2025.
Se o cenário se concretizar, a Agrifatto estima que Brasil poderia encerrar 2026 com aproximadamente 578 mil toneladas equivalente carcaça exportadas aos Estados Unidos, um crescimento de 44% frente ao ano anterior. A referência utiliza toneladas equivalente carcaça, portanto não deve ser comparada diretamente com as estatísticas de peso produto utilizadas habitualmente para medir as exportações.
Brasil já vinha aumentando com força seus negócios com Estados Unidos antes da entrada em vigência do novo contingente. Entre janeiro e agosto, as exportações brasileiras de carne bovina in natura para esse mercado alcançaram cerca de 241 mil toneladas, 37,2% a mais do que durante o mesmo período de 2025. Apenas em agosto foram colocadas aproximadamente 31.330 toneladas, quase cinco vezes o volume registrado um ano atrás.
A oportunidade se concentra especialmente nas aparas magras ou beef trimmings, produto utilizado principalmente pela indústria estadunidense para a elaboração de carne moída. A Agrifatto apontou que Brasil tinha até agora uma participação relativamente pequena dentro dos códigos tarifários específicos alcançados pela nova medida: até julho havia colocado apenas 1.890 toneladas, frente a 159.900 toneladas da Austrália e 98.200 toneladas da Nova Zelândia.
A capacidade de reação do Brasil também aparece como uma vantagem. O país conta com cerca de 50 plantas habilitadas para exportar aos Estados Unidos, uma estrutura que lhe permite responder rapidamente às oportunidades comerciais geradas pelos três contingentes extraordinários.
Os Estados Unidos habilitaram até 300 mil toneladas adicionais, distribuídas em três janelas independentes de até 100 mil toneladas para setembro, outubro e novembro. O contingente está destinado a países que participam do grupo sem cota específica e permite ingressar os produtos alcançados sem pagar a tarifa extraquota de 26,4%. Paraguai também pode competir por este espaço.
Os últimos dados oficiais divulgados pela Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo), com informações do Serviço de Aduanas e Proteção Fronteiriça dos Estados Unidos (CBP) compiladas pela Agregadoria Agrícola do Brasil, indicaram que até 14 de setembro...
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do AgroRural Paraguay.
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