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Paraguai

O que não acontece em uma empresa privada

A história de sete anos de desperdício, negligência e abandono de equipamentos no IPS

04/07/2026 08:45 4 min lectura 5 visualizações

Esta absurda história iniciou-se há seis anos, em 2020, quando o IPS decidiu modernizar os quirófanos do sétimo andar do Hospital Central. Para isso, licenciou um contrato milionário de mais de sete milhões de dólares.

A empresa adjudicada foi Neighpart SA — ex Chaco'i —, com histórico de descumprimentos com o Ministério da Saúde durante a pandemia. Isso não foi problema para que lhe fosse concedido um milhão e meio de dólares de adiantamento.

Apenas então os técnicos se deram conta de que a estrutura do edifício não suportaria o peso da maquinaria comprada. Tudo poderia desabar, e aquele setor do sétimo andar foi fechado. Mais de dez quirófanos fechados quando a instituição enfrentava uma crise de cirurgias programadas com listas de espera extremamente longas.

Já que ali não se podia, idealizou-se construir um novo bloco independente no térreo, em outra zona do terreno.

Esta segunda obra custou outros sete milhões de dólares, mas, já bastante avançada, terminou paralisada por observações técnicas do solo e problemas com a distribuição elétrica de Terapia Intensiva e interferências com os ressonadores magnéticos. De novo, o carro foi posto na frente dos bois. Com um planejamento sério, este problema teria sido detectado antes do projeto ser iniciado.

Se isso lhe parece inadmissível, aguarde, porque mal começamos. Já estávamos em meados de 2023, e os caríssimos equipamentos igualmente chegaram. Solução: deixá-los abandonados no pátio do Hospital Central, expostos ao sol, à chuva e à umidade. De 2023 até hoje. Você acredita que alguém se indignaria e tomaria medidas urgentes para evitar sua deterioração e punir os responsáveis?

Não o desconheciam, pois a imprensa começou a publicar isso em setembro daquele ano. Sim, houve uma denúncia do IPS ante o Ministério Público, mas ninguém lhe deu seguimento, ninguém sabe o que aconteceu depois. Os equipamentos continuaram ali, enferrujando. Os quirófanos do sétimo andar, fechados. Os segurados, esperando cirurgias.

Uma auditoria interna de 2024 já havia alertado sobre o pagamento irregular de adiantamentos, a falta de planejamento e a exposição dos equipamentos à intempérie. Mas ninguém foi responsabilizado. Nenhum funcionário pagou por este desastre.

Recém agora, em junho de 2026, o presidente do IPS, Isaías Fretes, demonstrou ante a imprensa que a situação é ainda mais grave. Provavelmente muitos desses equipamentos de alta tecnologia médica estejam destruídos. Seus fabricantes jamais teriam imaginado que os manteriam por anos ao ar livre, sobre pallets mofados e cobertos por um plástico.

A visita de anteontem de Fretes revelou uma realidade incrível. Ninguém parecia estar bem informado do que havia ali. Uma parte dos enormes cabos ali depositados havia sido roubada, embora se desconhecesse para que serviriam. Um funcionário propôs como solução revendê-los para a ANDE! Havia painéis solares cujo destino era ignoto. Um contêiner que deveria conter uma maca de quirófano estava vazio. Não se podia afirmar que foi roubado, porque o inventário disponível era incompleto. Este caos se instalou durante anos sem que os sucessivos membros do Conselho de Administração se perturbassem. Onde estavam os auditores? Quem se enriqueceu com o negociado? Tanta negligência é desumana e criminosa.

No setor privado isso não acontece, porque o dono cuida de seu dinheiro. Há controles e consequências. Mas no IPS, o dinheiro não é de ninguém em particular: é de todos os contribuintes. E como é de todos, parece que não é de ninguém. Sem consequências, a história se repetirá, porque não é um caso isolado. O IPS sempre consegue transformar a ineficácia em um bom negócio.

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.

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