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Paraguai

Contentores

05/07/2026 10:45 3 min lectura 15 visualizações

No país temos vários contentores de características simbólicas e custosas. O prédio portuário asunceno convertido em edifícios de ministérios nunca pôde ocupar-se plenamente porque não havia dinheiro para trasladar os servidores para um belo local com vista ao rio. O negócio, na realidade, era manter o lucro dos aluguéis que apenas ao Ministério da Educação significa uns bons milhões de dólares dos nossos impostos pagos a quem sabe qual carreiro de areia. O ex-edifício do Ministério sobre a rua Chile está abandonado há muito tempo enquanto se pagam novos aluguéis para sustentar o negócio dos contentores vazios ou cheios. A velha estação de ferrocarril sem movimento há mais de 24 anos tem na aparência em seu interior alguns poucos servidores que recebem religiosamente seu salário sem ter ouvido em suas vidas um apito das locomotivas. Não há água, não há lenha, não há vapor e não há trem, mas existe a casca. Há muitos lugares iguais repartidos por todo o país na forma de hospitais, escolas ou dependências abandonadas por um Estado custoso e ladrão. Nos custa apenas nesse item uns 6 milhões de dólares diários de roubo cotidiano enquanto os agradecidos eleitores continuam sustentando o esquema que os mata e os empobrece.

Não houve nem interesse nem vontade de reformar o Estado que temos. Apesar de o Executivo em seu informe ao Congresso reconheça que não estão à altura da população e suas demandas nunca deixa de nos surpreender a cara de pau com que se argumenta o país que vivemos. Constroem-se pontes, mas não se habilitam rotas nem centros aduaneiros. Em conclusão, há que pedir de joelhos ao chapeludo Lula para que por piedade o habilite. A outra ponte sobre o rio Paraguai no Chaco está a ponto de unir-se, mas quem sabe quantos anos passarão até que se converta em um modo de comunicação que conecte ambos os oceanos. Argentina com Milei não mostra nenhum interesse em completar a obra em seu território e menos ainda construir a ponte em Pozo Hondo. Há que preparar-se de novo para rogar aos irmãos do Mercosul que o façam apesar das advertências em contrário de Trump que vê no projeto algo que favorece a China. Vivemos em um contentore vazio de vínculos reais de integração e já vamos quase pela Cúpula número 70 de um projeto que completou 35 anos desde sua assinatura.

O contentore passou a ser todo um símbolo do país. Há pessoas que constroem casas com esses elementos do comércio mundial. Aqui e no exterior há gente feliz vivendo em um contentore apesar das duras condições do nosso longo verão. Há os que dizem que são práticos e baratos. Há outros que afirmam que é chique, mas na realidade é todo um conteúdo simbólico do país que vivemos. Não importa se estão vazios ou cheios, o que importa é que sejam contentores de uma desordem que no público nos custa milhões e se somamos os que levam e trazem drogas ou produtos que ingressam em frío pelas nossas alfândegas podemos quase pensar em incluir o contentore como parte de nosso brasão nacional. O negócio é o contentore e como o carrinho não importa o que ele esconda.

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.

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