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Economia

O dólar e a pecuária: quando a desvalorização equivale a perder 22 bezerras por caminhão

04/06/2026 03:45 3 min lectura 15 visualizações
El dólar y la ganadería: cuando la devaluación equivale a perder 22 terneras por camión

Temos falado muito sobre o tipo de câmbio, sobre a queda do dólar e sobre como isso impacta no negócio pecuário paraguaio. No entanto, muitas vezes o debate fica preso em indicadores macroeconômicos e não chega à realidade produtiva. Então surge uma pergunta simples: qual é o verdadeiro impacto da desvalorização do dólar na pecuária?

Para tentar respondê-la, voltamos ao velho método do caderninho e da calculadora.

Em termos gerais, o tipo de câmbio passou de níveis próximos a Gs. 8.000 por dólar para valores próximos a Gs. 6.000. Estamos falando de uma queda aproximada de 25%.

Pode parecer mais um dado da economia, mas quando se traslada à produção pecuária os números são contundentes.

Tomemos como referência um macho para abate de 260 quilos de carcaça, utilizando os valores do Novilho Tipo 2.0 da APPEC. Hoje esse animal representa aproximadamente entre US$ 1.140 e US$ 1.150 por cabeça.

Com um dólar a Gs. 8.000, essa receita equivalia a mais de Gs. 9 milhões por animal.

Com um dólar a Gs. 6.000, esse mesmo animal gera pouco mais de Gs. 6,8 milhões.

A diferença ultrapassa os Gs. 2.280.000 por cabeça.

Para colocar em perspectiva, hoje uma bezerra desmamada vale entre Gs. 3,8 e 4 milhões. Ou seja, a perda de valor gerada pelo tipo de câmbio representa cerca de 60% do valor de uma bezerra.

Não estamos falando de centavos. Estamos falando de capacidade de investimento, de reposição e de crescimento produtivo.

Mas talvez exista uma comparação ainda mais clara.

Se tomarmos um caminhão de gado gordo, com as referências atuais, a um dólar de Gs. 8.000 gerava aproximadamente Gs. 360 milhões. Com esse dinheiro podiam comprar-se umas 90 bezerras.

Hoje, com um dólar de Gs. 6.000, esse mesmo caminhão gera cerca de Gs. 272 milhões, suficientes para comprar apenas 68 bezerras.

A diferença são 22 bezerras a menos por caminhão vendido.

E provavelmente essa seja a melhor medida para entender o fenômeno.

Porque o produtor não vive de dólares nem de guaranis. Vive de quilos, de cabeças e de capacidade de reposição.

Em um momento em que o Paraguai busca recuperar o estoque bovino, aumentar a produção de bezerros e fortalecer a criação, existe um sinal contraditório que merece ser analisado.

Por um lado, promovem-se políticas orientadas a incrementar a produção pecuária e recuperar o rebanho nacional.

Por outro, a deterioração do tipo de câmbio reduz significativamente o poder de compra de quem deve investir justamente nessa expansão.

Os preços internacionais da carne acompanham. Os valores do gado são historicamente bons. A demanda existe. Mas parte importante desse impulso se dilui quando o produtor recebe cada vez menos guaranis pelos mesmos dólares que gera.

Pode o Paraguai aspirar a uma recuperação acelerada do estoque bovino sem uma política cambial que preserve a capacidade de investimento dos produtores?

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do AgroRural Paraguay.

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