"O cenário se mexicanizou": como se transformou a violência na Colômbia e por que continua definindo as eleições
A morte do precandidato Miguel Uribe Turbay reacendeu o medo da violência política em um país que parecia ter superado seus piores momentos
No dia em que atentaram contra o precandidato presidencial Miguel Uribe Turbay, uma figura ascendente da direita com apenas 39 anos, os colombianos experimentaram um déjà vu. "Voltamos ao passado", pensaram muitos.
A morte de Uribe — em agosto de 2025, dois meses após o atentado — foi um balde de água fria para uma nação que parecia ter superado os piores momentos da guerra, os anos 80 e 90, quando magnicídios, bombas e sequestros eram rotina.
A Colômbia já não possui um conflito armado que ameace sua democracia nem índices de homicídios que a tornem o país mais violento do mundo, como ocorria há 30 anos.
Mesmo com seus problemas, a assinatura em 2016 do acordo de paz entre o Estado e a maior guerrilha da época, as FARC, significou uma evolução: a abertura de uma era em que temas como pensões, desigualdade ou meio ambiente passaram a liderar o ranking de prioridades.
E assim foi. Em 2022, após uma explosão social que evidenciou a vontade de mudança, o ex-guerrilheiro Gustavo Petro venceu a presidência. Era a primeira vez em dois séculos que um movimento popular de esquerda chegava ao poder.
Alguns poderiam ter pensado que se estava virando a página da violência.
Mas não foi assim. Durante seus quatro anos de mandato, Petro quis negociar a desmovilização dos vários grupos armados que ainda operam no país. Chamou de "Paz Total", uma iniciativa ambiciosa para firmar acordos com todos, apesar das notáveis diferenças entre eles: há narcotraficantes, extorsionistas, ex-guerrilheiros, ex-paramilitares e uma longa série de variantes que se sobrepõem caoticamente.
A violência na Colômbia, embora tenha diminuído após 2016, não cessou, mas se transformou, se fragmentou, se desordenou.
O magnicídio de Uribe Turbay — cuja autoria intelectual a Promotoria atribui a uma das dissidências das FARC, a Segunda Marquetalia — não é o tema mais comentado da campanha presidencial, mas, visto de agora, na véspera das eleições deste domingo, definiu o tom da disputa.
Os colombianos parecem movidos pelo medo mais do que por qualquer outro aspecto: a insegurança, segundo diversas pesquisas, voltou a ser o tema que mais os preocupa diante da eleição.
Mais que um debate sobre ideias, a campanha foi uma avalancha de acusações sobre os perigos letais que o adversário engendra.
A Colômbia se resiste a passar a página da violência.
Talvez a melhor prova disso seja o perfil e o discurso com que se apresentam os candidatos com opções de ganhar ou passar para o segundo turno, que seria em 21 de junho.
Todos, de fato, denunciaram ter sido ameaçados durante a campanha.
E a Defensoria do Povo emitiu alertas sobre o proselitismo armado por parte de grupos ilegais que buscam condicionar o voto de comunidades e limitar a liberdade dos eleitores.
Nenhum dos candidatos, segundo os especialistas consultados, parece ter uma receita convincente para resolver a violência.
Iván Cepeda, o aspirante do oficialismo, é um congresista veterano que construiu carreira como representante das vítimas e em busca de soluções pacíficas para a violência. É um dos autores da Paz Total. O assassinato de seu pai, um líder comunista, em 1994 marcou sua carreira.
E é, simbolicamente, a antítese de Álvaro Uribe, o ex-presidente que acuou as guerrilhas com mão de ferro entre 2002 e 2010.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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