O alias se posiciona como meio de pagamento preferido no Paraguai
Transferências imediatas transformam hábitos de consumo e comércio
Transformação dos hábitos de pagamento
A pergunta que anos atrás era comum em comércios e pontos de venda — "Aceita cartão?" — foi gradualmente substituída por uma nova consulta: "Me passa seu alias?". O que originalmente funcionava como identificador de contas bancárias evoluiu até se tornar um dos meios de cobrança preferidos por comerciantes, empreendedores, entregadores e consumidores.
A Câmara Paraguaia de Meios de Pagamento (CPMP) identificou esse fenômeno como uma das mudanças mais significativas que estão redefinindo os padrões de transação no país.
Achados da investigação
Durante o Pay Meeting 19, organizado pela CPMP, Ródney Acevedo apresentou os resultados de um estudo realizado com comerciantes e usuários para compreender a evolução nos métodos de pagamento. Uma das principais descobertas foi que, contrariamente às estatísticas históricas de cartões de crédito e débito, o meio de pagamento mais mencionado nas entrevistas foi o alias.
"Nós observávamos as estatísticas de cartões de crédito e débito, mas o que mais aparecia na pesquisa não estava nesses números. Então dissemos: o que está acontecendo com o Sipap?", explicou Acevedo. Ao incorporar dados do Sistema de Pagos do Paraguai, identificaram um crescimento acelerado nas transferências imediatas.
Projeções e alcance
As projeções indicam que o Sipap alcançaria aproximadamente 772 milhões de transações ao encerramento de 2026, representando um aumento significativo em comparação com os números registrados em anos anteriores. Esse crescimento reflete uma adoção massiva das transferências imediatas em operações de pagamento cotidiano.
Acevedo destacou que as transferências deixaram de funcionar unicamente para movimentos de grandes quantias entre contas bancárias e começaram a se integrar em transações diárias de menor valor.
Operações de baixo valor
De acordo com os dados apresentados, atualmente 92% das transferências correspondem a operações de até G. 1 milhão, enquanto o ticket médio nesse segmento gira em torno de G. 139.000. Esse número sugere que o sistema está sendo utilizado para substituir pagamentos que anteriormente eram realizados predominantemente em dinheiro.
Acevedo ressaltou a importância de obter análises mais detalhadas: "O ideal seria que o Banco Central pudesse abrir ainda mais em detalhes esses intervalos; por exemplo, até G. 100.000, para entender melhor como essas operações pequenas estão substituindo o dinheiro".
Percepção de comerciantes e usuários
A pesquisa qualitativa revelou que os comerciantes consideram que os meios de pagamento digitais deixaram de ser um diferencial competitivo para se transformar em uma necessidade operativa. Acevedo resumiu essa percepção com uma frase recorrente entre os entrevistados: "Antes era um luxo; hoje, sem isso você não existe".
O alias emerge como a opção preferida para cobranças diárias por várias características: não gera comissões; credita o dinheiro de forma imediata; não requer equipamentos adicionais como um terminal de pagamento; reduz erros ao evitar a digitação de números de conta; funciona apenas com telefone celular; e é percebido como um sistema simples e inclusivo.
Novas formas de transação
O estudo revelou que esse mecanismo facilita cobranças que antes dependiam quase exclusivamente do dinheiro, como gorjetas, pagamentos a entregadores, vendedores independentes ou pequenos comércios. Essas operações encontram no alias uma alternativa prática e eficiente.
Coexistência com outros meios de pagamento
Apesar do crescimento do alias, Acevedo esclareceu que os comerciantes não consideram que esse meio substituirá completamente os cartões. Segundo explicou, a estratégia comercial prioritária consiste em oferecer todas as alternativas de pagamento para não perder oportunidades de venda, embora muitos priorizem o alias como primeira opção.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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