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Política

O abraço republicano

06/06/2026 08:30 4 min lectura 19 visualizações
El abrazo republicano

Carlos María desceu de seu 4x4 e avançou pelo corredor tentando manter a compostura. Seu terno slim-fit cinza grafite era uma armadura de elegância que se sentia ridícula sob o teto de chapa. Ele estava acostumado ao aperto de mão firme mas breve, ao beijo no ar nas bochechas dos galas beneficentes.

Então, o viu vindo. Don Silverio se desprendeu da sombra de uma mangueira como um bloco em movimento.

—Doutor! —bramiu Silverio, e o hálito a fritura de pastel e cerveja chegou e golpeou suas narinas antes de seu corpo.

Não teve tempo de reagir. Os pesados braços de Silverio o cercaram comprimindo o terno de três mil dólares contra a camisa encharcada de suor de base.

Então começaram os golpes. CLAP, CLAP, CLAP!

A mão de Silverio impactou contra suas costas e ele teve vontade de tossir e sentiu que lhe faltava o ar; cada palmada de foca de Silverio era como um selo úmido.

—Estamos todos juntos, não é verdade, doutor? —sussurrou Silverio em seu ouvido, enquanto continuava golpeando as costas cadenciosamente com esse ritmo hipnótico e violento do CLAP, CLAP, CLAP!

Sentiu que seus pés se despegavam do chão e só pôde emitir um gemido surdo. O "Abraço Republicano" o estava batizando. Compreendeu nesse instante que seu título universitário não valia nada diante da percussão ancestral dessa palma de mão que, a cada golpe, lhe recordava que naquele pátio, não manda a seda.

Tentou ajeitar o terno depois que Silverio o soltou. Seu fino olfato acostumado a Paco Rabanne lhe informava que agora ele também cheira a Silverio. Essa é a verdadeira função do abraço: marcar o outro!

Mas, para sua angústia, isso era apenas o começo. Nesses lugares e circunstâncias, o ruído do abraço funciona como o golpe de um martelo que abre a sessão. Mal se separam, o ar se enche de uma oratória que parece escrita há cinquenta anos, mas que soa com a força de uma verdade ancestral.

Silverio soltou Carlos María com a brutalidade de quando deixa cair um saco de batata em sua banca no mercado 4. Mal teve tempo para aspirar um pouco do ar viciado pela fumaça de cigarro e fritanga de uma zelosa correlí. Não houve tempo para se recompor; o último palmotaço ainda vibrava em suas costas e nas chapas do teto quando Silverio se virou para a massa e rugiu.

—¡Correligionários! —A voz, um bramido que parecia vir do fundo de uma caverna, silenciou até o murmúrio dos ventiladores de teto

—¡Pejecha haguáicha! Kóva hína la añua ombokyhyjétava umi ndohayhúivape ñande partido. ¡Ko añua ndojejokói! Kóva peteî añua mbarete, ikatuva'erã añoite ome'ê pe tuguy pytã orekóva ñande partido bandera, okorréva ñande retepýre.

—Como vocês podem ver! Este é o abraço que fará tremer de medo os que não querem nosso partido! Este abraço é imparável! Este é um abraço forte, o único capaz de entregar esse sangue vermelho que tem nosso partido como bandeira, o qual corre por nosso próprio ser!

Silverio estendeu ameaçador o dedo para a multidão.

—Aipóndaje oî he'íva ore jajeividiha, ¡pero pejecha haguáicha ndaipóri joavy ñande partido ñanerenói jave!

—Por aí andam dizendo que estamos divididos, mas como vocês podem ver, não existem diferenças quando nosso partido nos chama!

—O caudilho fez uma pausa dramática, cravando seus olhos na primeira fila, depois se ergueu em toda sua magnitude com um silêncio estudado. Elevou duas vezes os calcanhares enquanto varre com o olhar sua gente como um general vitorioso que passa revista para confirmar que tudo estava sob controle.

—Oî oúva mbo'ehaovusúgui ambue katu jajúva tuju mbytetégui, upéicha avei ko kuarahy paraguái guýpe. Ko haku ñande mboyku, ñanembojoaju ha ñanemoî peteîcha ¡Péva upe tyapu pehendúva hína pe añua ñanembojoajúva ojuehe, upéva hína pe "unidad granítica" oñeheróva! ¡Pé...

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.

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