Nula planificação territorial desata guerra entre vizinhos e uma pedreira
A cidade de Presidente Franco atravessa uma transformação acelerada. O crescimento urbano impulsionado pela construção da Ponte da Integração, que conecta o município com a cidade brasileira de Foz do Iguaçu sobre o rio Paraná, gerou novas oportunidades econômicas e comerciais, mas também deixou a descoberto a falta de ordenamento territorial, uma problemática que há anos preocupa distintos setores sociais.
Novos bairros, invasões de propriedades privadas e municipais, e comunidades começaram a surgir em distintos pontos do município, acompanhando a expansão urbana e o aumento da população. No entanto, esse crescimento se produziu sem uma planificação clara, o que derivou em conflitos entre atividades preexistentes e assentamentos urbanos instalados posteriormente em zonas consideradas de risco.
Atualmente, um projeto de planificação territorial se encontra em estudo na Junta Municipal. Não obstante, os problemas derivados da ausência histórica de regulamentação já começaram a se multiplicar e um dos casos mais representativos é o enfrentamento entre vizinhos do bairro Santa Inés e a pedreira Roca Negra. Esta pedreira opera há mais de duas décadas em Presidente Franco. Quando iniciou suas atividades, a zona se encontrava afastada de áreas densamente povoadas. No entanto, com o passar dos anos e a expansão urbana desordenada, o entorno foi se transformando até ficar rodeado por moradias e comunidades.
O bairro Santa Inés, criado há menos de dez anos, cresceu nas imediações do estabelecimento extrativo. Com a chegada de novas famílias começaram também as denúncias contra as detonações realizadas na pedreira.
Os moradores sustentam que as explosões provocam graves danos estruturais em suas moradias. Denunciam o aparecimento de rachaduras profundas em paredes e pisos, além do desmoronamento de poços e constantes vibrações que afetam a segurança das famílias.
A tensão aumentou ainda mais depois que uma detonação realizada recentemente provocou indignação entre os vizinhos, que denunciaram que fragmentos de pedra chegaram até a rua.
INTERVENÇÃO MUNICIPAL E SUSPENSÃO TEMPORAL. Diante da crescente pressão social e as denúncias de perigo em uma zona já urbanizada, a Municipalidade de Presidente Franco resolveu intervir. A Comuna emitiu uma medida de urgência dispondo a suspensão temporal das atividades da pedreira, argumentando que as explosões representam um risco para a população. Posteriormente, a Direção Geral de Material Bélico (Digemabel) também emitiu uma resolução ordenando o cessar temporal das detonações.
Desde a Municipalidade, assinalaram que a decisão busca prevenir uma eventual tragédia, levando em conta que o estabelecimento se encontra atualmente dentro de uma área urbana. Além disso, as autoridades municipais informaram que se negou a patente comercial à empresa baseando-se em ordenanças vigentes que restringiriam este tipo de atividades na zona.
No entanto, segundo denunciaram vizinhos e autoridades municipais, a empresa teria realizado novas explosões apesar da notificação emitida para impedi-las, situação que desatou novos protestos e distúrbios.
PROTESTOS, DISTÚRBIOS E TENSÃO CRESCENTE. Há semanas, os habitantes do bairro Santa Inés mantêm manifestações em frente ao acesso da pedreira. A situação alcançou um de seus pontos mais críticos depois que a empresa distribuiu um cartaz convidando os vizinhos a abandonar temporariamente suas moradias durante as detonações para se reunir em uma praça, onde supostamente se ofereceriam refrigerantes e cachorros-quentes.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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