Nova Ruralidade iniciará em Ñeembucú focado na titulação de terras
O Instituto Nacional de Desenvolvimento Rural e da Terra (Indert) confirmou que o departamento de Ñeembucú será a região piloto para a implementação do programa Nova Ruralidade, impulsionado pelo governo atual. Esta iniciativa busca consolidar transformações significativas em favor do campesinato nacional.
De acordo com informação do presidente do Indert, Francisco Ruíz Díaz, a instituição constituiu um equipe de investigação que realizou uma revisão exaustiva dos antecedentes históricos sobre o processo de colonização e reforma agrária no Paraguai. O trabalho permitiu identificar a ausência quase total de titulação a favor dos camponeses que ocupam terras rurais.
Magnitude do desafio
Segundo o informe do equipe de investigação do Indert, foram detectadas um total de 100 mil hectáreas de terras distribuídas em 35 colônias, praticamente sem documentação que consolide os direitos de propriedade em favor dos beneficiários da reforma agrária.
Ruíz Díaz destacou como caso emblemático o departamento de Ñeembucú, sinalizando que apesar de abrigar a colônia mais antiga do Paraguai, Sebastián Gaboto, habilitada em 1881, os camponeses da região foram historicamente marginalizados em matéria de titulação de terras.
Colônias sem regularização
A Colônia Sebastián Gaboto, localizada no Distrito de Villa Franca do Departamento de Ñeembucú, conta com 6.913 hectáreas habilitadas originalmente para 163 famílias assentadas. Foi criada sob a primeira Lei de Colonização do período do pós-guerra contra a Tríplice Aliança, destacando sua importância histórica dentro do processo de reforma agrária.
A colônia apresenta 145 anos de falta de regularização, enquanto a Colônia Alberdi do distrito de Alberdi registra 99 anos de habilitação com titulação quase nula. Esta segunda comunidade rural mais antiga conta com 12.823 hectáreas que serviram para o assentamento inicial de 514 famílias rurais.
Do conjunto das 35 colônias identificadas, aproximadamente 15 colônias dispõem de mais de 80 anos de habilitação sem regularização, enquanto outras 18 colônias têm aproximadamente 70 anos de habilitação.
Direitos precários
O denominador comum de todas estas colônias é a ausência total de titulação de terras, o que deixa seus ocupantes com direitos muito precários e afastados do mandato constitucional. Esta situação impossibilita a integração plena do campesinato ao desenvolvimento econômico e social, conforme estabelecido nos Artigos 114 e 115 da Constituição Nacional de 1992.
O programa Nova Ruralidade se apresenta como uma resposta institucional para resolver estas deficiências históricas na formalização de direitos de propriedade rural, começando por Ñeembucú como região piloto.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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