Aniversário da Batalha de Acosta Ñu: Governador de Cordillera respalda reclame por troféus de guerra
Denis Lichi questiona declarações do presidente Lula e apoia pedido de restituição de canhões e documentos históricos
O governador de Cordillera, Denis Lichi, aproveitou neste domingo o ato comemorativo pelo 157º aniversário da Batalha de Acosta Ñu para questionar as recentes expressões do presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, sobre a Guerra contra a Tríplice Aliança.
Durante seu discurso, realizado frente ao monumento aos meninos mártires em Eusebio Ayala, Lichi sustentou que a história do conflito deve ser abordada "com responsabilidade, prudência e respeito".
O governador assinalou que as declarações do mandatário brasileiro geraram mal-estar e vinculou sua postura com a memória de Acosta Ñu, onde a cada 16 de agosto se recorda o sacrifício dos meninos e jovens paraguaios durante a guerra.
"Nos dizem que não podemos guardar silêncio quando se pretende apresentar o Paraguai como o único responsável por sua própria tragédia", manifestou.
Lichi esclareceu que seus questionamentos não estão dirigidos contra o povo brasileiro, ao qual qualificou como irmão, e destacou os vínculos existentes entre ambos os países.
"Nossa resposta está dirigida a uma interpretação injusta e incompleta da história", sustentou.
Em outro momento, respaldou o pedido apresentado pelo vice-presidente Pedro Alliana para a restituição de troféus de guerra que se encontram no Brasil, entre eles, os canhões Presidente López e Cristiano, além do acesso a documentos históricos relacionados com o conflito.
"Os reclamamos porque pertencem à memória de nossos antepassados, ao patrimônio de nossos filhos e à identidade de toda a nação paraguaia", expressou.
Após o ato, Lichi explicou que as declarações de Lula foram as que o motivaram a se pronunciar publicamente, apesar de que, segundo disse, habitualmente participa das atividades do 16 de agosto sem oferecer discursos.
"Quis levantar a voz como representante desses meninos, de todos os heróis e de todas as mulheres que deram suas vidas por nós", manifestou.
O governador também pediu que a Chancelaria e o Governo Nacional acompanhem o reclame pelos bens históricos e sustentou que considera necessário um gesto do Brasil para contribuir a superar as feridas deixadas pelo conflito.
Não obstante, insistiu em diferenciar sua postura de qualquer questionamento ao povo brasileiro. "Nós temos um relacionamento demasiado importante com o povo brasileiro", afirmou.
Lichi questionou, em particular, que as referências à Guerra contra a Tríplice Aliança fossem realizadas no marco de atividades políticas. "Não pode ser utilizada nossa dor do povo paraguaio para um comício político", assinalou.
Finalmente, destacou que as comemorações de fatos históricos como Acosta Ñu também permitem fortalecer o conhecimento da história e a identidade nacional entre as novas gerações.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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