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Internacional

Missão arqueológica revela tumba "curiosa e preciosa" da V dinastia faraônica

08/09/2026 13:45 4 min lectura 383 visualizações

O descobrimento, realizado durante as escavações levadas a cabo neste verão pela missão arqueológica da Universidade Autónoma de Barcelona (UAB) e do Conselho de Antiguidades Egípcio, consiste de uma mastaba que conta atipicamente com duas capelas funerarias ordenada construir por Yunmen, um alto funcionário sob o reinado do faraó Djedkare Isesi, que mandou enterrar ali também seu pai, Iti, um funcionário provincial de menor hierarquia.

Segundo relatou à Agência EFE Cervelló, catedrático de Egiptologia da UAB, a tumba permitiu revelar restos "de uns personagens curiosos, com um interesse histórico, social e cultural muito grande", enquanto que para os arqueólogos a escavação supôs também "a surpresa de que é preciosa a tumba".

"Temos um arquitrave que é uma maravilha, uns textos muito bonitos porque ainda sendo fórmulas mais ou menos estereotipadas, pois estão ajustadas um pouco à personalidade e aos cargos do proprietário. E depois a decoração é preciosa, os relevos em alguns casos muito bem conservados, as cores bem conservadas e alguns detalhes deliciosos como os burros e outros animais que podem apreciar-se", indicou Cervelló durante uma visita à tumba antes de que se fizesse público o descobrimento.

Cervelló apontou neste sentido que além de ser "muito interessante e desde um ponto de vista histórico e científico muito belo", a mastaba aporta também "a emoção da beleza, uma coisa que às vezes parece que os arqueólogos e os historiadores tenhamos que deixar de lado a questão estética".

A teoria de trabalho, e na falta de que se estude a consciência todo o material resgatado da mastaba, é que a dupla tumba reflete um processo de ascensão social, o filho de um funcionário provincial convertido em alto funcionário e enterrado em uma zona de grande prestígio social, que não se esqueceu de trazer seu pai para compartilhar seu caminho ao mais além.

"Haverá que acabar para vê-lo, mas uma possibilidade é que o funcionário fosse originário dessa província periférica que chegara à corte e se ficasse em Menfis, que era então a capital do Egito e seu filho pois fosse já um funcionário da administração central do Estado, que é quem constrói a tumba", acrescentou.

A zona da escavação já era conhecida desde as escavações do arqueólogo francês Auguste Mariette no século XIX, mas nunca antes havia sido explorada e documentada de forma exaustiva apesar de que se conhecia a existência de um grande complexo de tumbas.

Parte da ideia de estudo que levou ao descobrimento da tumba era analisar a topografia da zona e abordar o conhecimento da necrópole de Sakara "como um lugar de vida", ao qual os antigos egípcios acudiam a levar oferendas e onde se trabalhava de forma incansável na construção de monumentos funerários.

"Havia uma circulação de gente constante nos cemitérios (...) Nos interessa o urbanismo do cemitério, a topografia do cemitério, as ruas, as praças, como se movia a gente, se há culto no exterior, por exemplo, às vezes nas capelas exteriores ou nos nichos exteriores, pois como se produzia esse culto. Ou seja, tudo o que é a vida", apontou Cervelló.

Assim foi como, analisando mapas e reconstruindo o traçado da zona em busca de tumbas de sumos sacerdotes que os arqueólogos estimavam que se encontravam por ali desde tempos de Mariette, encontraram esta mastaba inédita e indicios de outras duas muito próximas que se espera excavar em futuras missões.

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.

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