Médicos consideram bem-sucedida a greve e continuarão com ações
Sindicato Nacional de Médicos avalia mobilização como vitória e anuncia novas estratégias de pressão
Avaliação. Ao completar-se ontem o quinto dia da Greve Nacional de Médicos, os profissionais de saúde estão firmes em seu pedido de reivindicações ao Governo.
Durante seu retorno de Encarnación, a doutora Rosanna González, referente do Sindicato Nacional de Médicos (Sinamed), apontou que a greve nacional foi um sucesso total.
"Vamos conseguir os objetivos em algum momento. Mas a greve foi um sucesso porque houve um despertar da categoria médica, uma categoria que estava dormida, não estava reagindo".
Acrescentou que há orgulho porque em cada canto do país o médico deixou sua zona de conforto e saiu às ruas para defender seus direitos laborais.
"E também o direito do povo, algo que há muito tempo não se via. Isso é para comemorar e também é um exemplo para a população, de que temos que nos manifestar, nos unir e ouvir essa voz do descontentamento pelo que hoje todos os paraguaios estamos passando".
Continuidade. Às 23h59 de ontem, a greve chegou ao seu fim. Porém, continuará o pedido de melhorias nas condições laborais, reajuste salarial, desprecarização e pagamento dobrado pelos dias feriados.
González contou que durante o fim de semana farão um balanço da semana de mobilização, protestos e greve.
O reclamo terá sua continuidade, já que se bem nesta semana não tiveram eco favorável, não desistirão de seus pedidos.
"Como dissemos em uma assembleia permanente que tivemos na rua, a greve indefinida, fazer uma greve atrás da outra, ou analisar bem e ver outras possibilidades que também poderiam ser viáveis como estratégia. Mas aqui a única opção que não está dentro de nossa lista é a de renunciar e desistir disso".
Uma das medidas que seguirão à greve é a apresentação ante o Ministério de Saúde Pública da renúncia de vários médicos, entre eles cirurgiões e anestesiologistas, e além disso poderiam se somar outros.
"Emplazaram a ministra até segunda-feira para que dê uma resposta aos reclamos. Caso contrário, essas renúncias vão se concretizar".
Adiantou que a partir de segunda-feira o atendimento nos consultórios voltará à normalidade nos diferentes hospitais do país.
"Segunda-feira veremos, voltamos aos hospitais e veremos qual é a estratégia. Mas o que não faremos é ficar parados em nosso reclamo", reforçou a sindicalista.
"Nós vamos continuar até que se dê o objetivo do nosso posicionamento. Dissemos também que nunca estivemos fechados ao diálogo e às ofertas ou aos posicionamentos que eles pudessem ter. Mas até agora não nos deram absolutamente nada", acrescentou a referente do sindicato de médicos.
Durante a semana, nas jornadas de protesto vários pediram a renúncia da ministra de Saúde, María Teresa Barán. González deixou claro que não realizaram a mobilização pedindo a renúncia de alguém em específico.
Porém, sim teve questionamentos quanto ao seu atuação nesses dias de mobilização. Mencionou que estão decepcionados porque não foi apresentada uma proposta concreta de sua parte.
Renúncias. No fechamento desta edição, no Hospital General Pediátrico Niños de Acosta Ñu, 141 dos 186 médicos que integram o quadro estavam renunciantes.
A Unidade de Cuidados Intensivos Pediátricos é o departamento que apresentava a maior quantidade de renúncias, 42 de um total de 44 profissionais naquele setor.
Profissionais das outras áreas do hospital pediátrico também estavam em situação de demissão. "O 100% dos médicos do programa de fibrose cística encontram-se assinando renúncias", apontava um documento realizado pelo comitê de greve do centro assistencial.
A este panorama que incluiu mobilizações em Encarnación e Ciudad del Este, veio se somar a marcha do Centro de Estudantes da Faculdade de Ciências Médicas da UNA.
Os futuros médicos realizaram sua mobilização em solidariedade aos profissionais de saúde em greve.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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