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Internacional

Manifestantes dizem "não" ao diálogo e Bolívia continua em crise

Bloqueios de estradas se intensificam enquanto governo ameaça usar forças militares

30/05/2026 11:01 3 min lectura 0 visualizações
Manifestantes dicen “no” al diálogo y Bolivia sigue en crisis

Manifestantes que exigem a renúncia do presidente Rodrigo Paz rejeitaram nesta sexta-feira novos apelos do Governo ao diálogo e intensificaram os bloqueios de estradas que cercam há um mês a capital política do país, constatou a AFP.

Campesinos, operários, mineiros, transportistas e professores pedem ao mandatário centrista de direita, com seis meses no poder, uma saída para a crise econômica, a pior em quatro décadas, mas seus reclamos se radicalizaram ao considerar que não foram ouvidos.

Vestidos com ponchos e mastigando folhas de coca, centenas de campesinos aimarás tomaram nesta sexta-feira a principal rodovia que conecta a cidade de El Alto, a 4.100 metros de altitude, com La Paz, a sede do governo.

"Nos convidaram (para conversar), mas nós mesmos dissemos: não podemos dialogar, este governo tem que sair", disse à AFP Juan Hidalgo, um líder dos Ponchos Rojos, poderoso sindicato campesino que protesta nas proximidades de La Paz.

Enormes blocos de concreto impediam a passagem de veículos, enquanto mulheres de saias longas distribuíam as refeições. "Renuncia hoje ou convoca eleições", acrescentou Hidalgo, rodeado de outros agricultores que carregavam seus chicotes em bandoleira.

Nesta sexta-feira foram relativos mais de 70 bloqueios de rodovias no país, segundo a estatal Administradora Boliviana de Estradas, uma vintena a mais do que no início da semana.

Na quarta-feira, Paz, durante um ato público, convidou "pela última vez" a negociar com os principais sindicatos operários e campesinos. "Se não quiserem dialogar, então vem a lei", disse. O mandatário tem via livre para declarar estados de exceção e controlar protestos com militares, após o Congresso eliminar uma norma que o limitava.

O vice-presidente Edmand Lara, declarado opositor de Paz, impulsiona uma comissão de diálogo com representantes do governo, do parlamento, da Igreja Católica e da Defensoria do Povo.

Mas os principais manifestantes, os operários e campesinos, não compareceram a nenhuma das sessões.

Mario Argollo, principal líder da Central Obrera Boliviana, o sindicato maior do país, possui uma ordem de captura por supostos crimes de "incitação ao delito" e "terrorismo".

Começa a chegar ajuda humanitária do Paraguai

O Governo da Bolívia recebeu nesta sexta-feira duas toneladas de alimentos não perecíveis do Paraguai no primeiro de três voos militares que trarão um total de sete toneladas de ajuda para as cidades de La Paz e El Alto afetadas pelos bloqueios de estradas que realizam há 24 dias setores campesinos para exigir a renúncia do presidente boliviano, Rodrigo Paz.

O embaixador paraguaio na Bolívia, Enrique Guerrero, informou à EFE desde o aeroporto de Santa Cruz, onde foi recebido o primeiro voo após o presidente de seu país, Santiago Peña, autorizar os três voos solidários à Bolívia com a ajuda humanitária "ante a difícil situação de desabastecimento" que estão passando ambas as cidades pelos bloqueios. O primeiro voo partiu da base Mariscal Estigarribia, no Chaco paraguaio, para onde retornou a aeronave, um modelo CASA 212, que fez um segundo voo a Santa Cruz. O terceiro voo se realizou hoje, detalhou Guerrero, que expressou o apoio de seu país ao presidente Paz.

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.

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