Legisladores propõem priorizar salários e diálogo para resolver conflito com médicos
Deputados defendem piso salarial digno para todo pessoal de saúde antes de implementar carreira sanitária
Proposta para resolver o conflito sanitário
David Jara sustentou que o reclamo dos médicos é legítimo e requer uma resposta urgente, mas advertiu que qualquer solução deve contemplar todos os trabalhadores que integram o sistema sanitário.
"Antes de construir uma carreira sanitária, primeiramente devemos garantir um piso salarial digno para todo o pessoal de saúde. O reclamo dos nossos médicos é legítimo e necessita uma resposta urgente e justa", reforçou.
Integralidade no sistema de saúde
Jara enfatizou que a saúde pública é um trabalho conjunto. "Trabalham a enfermeira, a obstetriz, a odontóloga, a bioquímica, a radióloga", manifestou, destacando que todas essas profissões devem ser consideradas em qualquer solução integral.
Nesse sentido, propôs elevar primeiramente o piso salarial de todo o pessoal sanitário e, sobre essa base, avançar para uma carreira que reconheça a formação, especialização, antiguidade e responsabilidade dos funcionários.
"Creio que não devemos solucionar uma desigualdade construindo outra. Primeiro, elevemos o piso salarial para todo o pessoal de blanco. E sobre esse piso salarial, construamos uma verdadeira carreira sanitária", afirmou.
Descentralização de serviços de saúde
O deputado enfatizou a necessidade de descentralizar os serviços de saúde e estabelecer incentivos para os profissionais que aceitem trabalhar em hospitais distritais e regionais do interior.
Jara apontou que existe uma dificuldade recorrente para conseguir especialistas que se transfiram para o interior do país, o que obriga muitas famílias a viajar até Assunção para acessar determinados serviços.
"Reconheçamos o esforço dessas pessoas que procuram servir ao Paraguai profundo", sustentou, considerando que a carreira sanitária deve contemplar também o sacrifício e as condições de quem trabalha fora da capital.
Responsabilidade fiscal e diálogo
O legislador reconheceu que existem limites orçamentários e que o Estado deve agir com responsabilidade fiscal, mas sustentou que essa não pode converter-se em argumento para postergar as desigualdades do sistema sanitário.
"Entendemos que existem limites orçamentários e devemos agir com responsabilidade. Mas essa responsabilidade fiscal não pode significar que continuemos resignando as desigualdades que existem".
Propôs uma mesa de diálogo entre o Ministério da Economia, o Ministério de Saúde, os gremios e os parlamentares para buscar uma saída ao conflito.
Respaldo do Presidente de Deputados
O presidente da Câmara de Deputados, Raúl Latorre, reafirmou o apoio aos médicos e apontou que a proposta apresentada pelo Poder Executivo constitui uma base para continuar as conversações, embora tenha considerado que ainda deve aumentar a capacidade orçamentária destinada à saúde.
"Creio que há que seguir dialogando. Embora esta seja uma base importante, ainda é necessário que cresça a capacidade orçamentária do Estado para fornecer serviços de saúde", manifestou.
Latorre destacou o incremento previsto para o Ministério de Saúde e apontou que, como médico e sanitarista, considera positivo o fortalecimento dos recursos destinados ao setor.
Pontos em questão
O titular da Câmara Baixa recordou que desde o início das conversações com os gremios assumiu o compromisso de atuar como ponte entre os trabalhadores de saúde e o Governo, com o objetivo de alcançar um acordo que permita garantir a prestação dos serviços e atender as reivindicações laborais.
Entre os pontos levantados pelos médicos encontram-se a provisão de insumos e medicamentos, a contratação de profissionais para os novos hospitais, mais de 2.000 processos de desprecarização.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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