IPS insiste em licitação anulada que favorece a oferta mais cara
Órgão regulador determinou retroação do processo, mas instituto mantém argumentos já rejeitados
O Instituto de Previsión Social (IPS) continua sustentando os critérios utilizados para beneficiar a oferta mais cara em uma adjudicação realizada durante a gestão de Jorge Brítez que foi anulada pela Direção Nacional de Contratações Públicas (DNCP).
A DNCP iniciou uma investigação a partir da denúncia dos oferentes por deixar fora a oferta mais econômica por uma causal que não figurava nas bases do chamado. A licitação questionada, identificada como LPN Nº 103/25, contempla obras de readequação elétrica e traslado de equipos eletromecânicos no bloco de terapia intensiva do Hospital Central por G. 1.435 milhões.
O caso da licitação LPN Nº 103/25 para a Readequação das instalações elétricas e traslado de equipos eletromecânicos do posto de distribuição do bloco 6 da Unidade de Terapia Intensiva A1 Adulto e Pediátrico do Hospital Central por um montante estimado de G. 1.435.797.659 foi abordado na sessão do Conselho de Administração.
Durante a sessão, a Direção de Abastecimentos do IPS se ratificou sobre a decisão tomada. O Conselho, por sua vez, decidiu solicitar um informe a respeito e parar o procedimento para analisar além disso se é responsável em matéria de gestão administrativa para destinar este dinheiro ao traslado dos equipos e como se estão levando a cabo os procedimentos de obras no IPS Central.
Em janeiro deste ano a DNCP anulou a adjudicação outorgada ao Consórcio OMEC e ordenou retrotraer o processo por considerar que a previdenciária descalificou indevidamente a TES Engenharia, a empresa que havia apresentado a proposta mais econômica.
Apesar da contundência da resolução de Contratações Públicas, a Direção de Abastecimento e Logística manteve ante o Conselho os mesmos argumentos que já haviam sido rejeitados pelo órgão regulador.
O presidente do IPS, Isaías Fretes, levantou uma pergunta que resume o conflito:
Se a DNCP está dizendo que não está correto, por que se insiste?E solicitou que se apresente o comitê avaliador da licitação.
Por que a mais cara
O motivo da exclusão da oferta mais baixa foi a omissão do número do Certificado de Produto e Emprego Nacional (CPEN) na planilha de preços apresentada pela TES Engenharia. A justificativa resulta chamativa porque o próprio pliego de bases e condições estabelecia expressamente que a falta do CPEN não constituía causal de descalificação, senão unicamente a perda do benefício do margem de preferência nacional. Ainda assim, o comitê avaliador decidiu eliminar a empresa da competência e adjudicar a obra ao Consórcio OMEC.
A DNCP foi categórica. Concluiu que o IPS incorreu em um erro de apreciação, que a omissão era um defeto formal e que o dado inclusive podia verificar-se nos registros oficiais do Ministério da Indústria e Comércio. Mais ainda, o órgão controlador advertiu que a interpretação aplicada pelo IPS terminou afetando o princípio de economia e seleção da oferta mais conveniente para o Estado.
Em termos simples, a previdenciária deixou fora a oferta mais barata por uma formalidade que suas próprias bases consideravam não excluyente.
Prioridades
Durante a sessão do Conselho de Administração da quinta-feira passada se pediu um informe mais detalhado sobre o processo e se levantou a necessidade de revisar a prioridade deste tipo de gastos em meio às constantes denúncias por falta de medicamentos, insumos e serviços básicos para os assegurados. A discussão também alcança as numerosas obras encaradas no Hospital Central durante os últimos anos. Apenas uma das inversões recentes vinculadas a infraestrutura ronda os G. 50.000 milhões. Enquanto isso, a licitação permanece sem uma adjudicação firme. A DNCP ordenou reevaluar as ofertas e refazer a análise conforme às regras estabelecidas no pliego.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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