Informe presidencial sem surpresas e com evidente falta de autocrítica
Santiago Peña cumpre ritual constitucional diante do Congresso, mas não apresenta novidades nem reflexão crítica sobre sua gestão
O ritual de prestar contas diante do Congresso, como mandala a Constituição Nacional, foi cumprido. Mas o informe do presidente da República, Santiago Peña, não trouxe surpresa alguma, provavelmente porque o informe já havia sido apresentado anteriormente diante da dirigência do Partido Colorado.
Peña iniciou seu informe dizendo que ia cumprir "com um dos rituais mais sagrados de nossa vida republicana": Prestar contas diante do que chamou de "pulmão de nossa democracia". Precisamente, segundos antes de sua chegada, um microfone aberto teria deixado em evidência uma conversa entre o presidente do Congresso, Basilio Bachi Núñez, e o titular de Deputados, Raúl Latorre, na qual se menciona o deputado da oposição Raúl Benítez, com estes termos: "Quer seguir o caminho de sua liderança", aludindo à senadora Kattya González, expulsa há dois anos do Senado pela maioria colorado cartista. Como respondeu depois o deputado aludido: É uma "banalização da destruição da República".
O presidente recordou em seu informe o triunfo da Albirroja na Copa do Mundo. "Que alegria, que felicidade, que lição de amor à pátria nos trouxeram nossos leões albirrojos! Vivemos uns dias mágicos nos quais todo o mundo pôs seus olhos no Paraguai, e respiramos ares de uma algazarra raramente vista..."
Antes de começar a enumerar os dados e as cifras de seu governo, Santiago Peña mencionou com orgulho a alegria "que nos deram gigantes como Orlando Gill, que teve que vender suas roupas para manter sua família". O fato é tão cotidiano em nosso país quanto indignante, pois para assistir uma família com um bebê doente deveriam funcionar bem as instituições governamentais. O presidente deveria saber que não é motivo de orgulho que um jovem venda seu equipamento para solucionar a saúde de seu filho, precisamente pela ausência do Estado. Embora ao falar do tema saúde afirmasse que, "até que a saúde não chegue a todos, será uma dor na alma para mim".
Segundo o informe, o ano 2026 encontra o Paraguai no melhor momento econômico de toda sua história: "E isto não é um relato, é uma realidade. Nunca antes tivemos os números econômicos que hoje temos; nunca antes estivemos na vitrine do mundo como exemplo a seguir". Menciona igualmente que nunca antes o Paraguai teve um PIB tão grande; nem teve tantos investimentos estrangeiros e nacionais e nunca antes o Estado investiu no social como agora; nem antes teve uma classe média tão vigorosa; o risco país tão baixo e tantos paraguaios fora da pobreza.
Por outro lado, Santiago Peña apresentou os programas sociais de assistência como um dos pilares de sua administração, assegurando que o crescimento econômico só tem sentido se se traduz em melhores condições de vida para a população. Neste sentido, destacou a implementação de Hambre Cero como a maior política de alimentação escolar do país, a expansão de Tekoporã Mbarete para proteger as famílias mais vulneráveis, a ampliação da pensão para adultos maiores, e o impulso ao programa habitacional Che Róga Porã ao sustentar que o Estado deve acompanhar o cidadão "desde que nasce até sua velhice".
Afirmou Peña que estes programas sociais refletem o modelo de Governo, centrado nas pessoas, sinalizando que são evidência de que o crescimento econômico está sendo acompanhado por um maior investimento social. Também respondeu às numerosas críticas sobre suas viagens, dizendo que cada missão internacional fez parte de uma estratégia para posicionar o Paraguai no cenário global, fortalecer as relações diplomáticas e abrir oportunidades de investimento. E até colocou em sua coluna positiva o fato de que este ano, pela primeira vez em décadas, o campo não marchou sobre Assunção no mês de "março".
A resposta da Federação Nacional Campesina, organizadora da histórica marcha campesina não se fez esperar: O i...
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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