Frente Guasu rejeita declarações de Lula da Silva sobre a Guerra da Tríplice Aliança
O Frente Guasu, agrupação política identificada historicamente com o progressismo latino-americano, divulgou nesta segunda-feira um comunicado em que questiona as declarações do presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, sobre a Guerra da Tríplice Aliança. Por meio de suas redes sociais, a organização emitiu um pronunciamento que apela à memória, à soberania e à dignidade ante o que considera um silêncio oficial do Governo nacional.
Esta postura representa um fato pouco habitual no cenário político regional, considerando a histórica afinidade ideológica e política que o bloco de esquerda paraguaio manteve com o líder do Partido dos Trabalhadores (PT) brasileiro e com outros referentes da esquerda sul-americana como o falecido ex-presidente uruguaio José Mujica e Evo Morales.
Rejeição às declarações
Desde sua formação, o Frente Guasu tem reivindicado os processos de integração latino-americana impulsionados por governos progressistas da região. Entretanto, as recentes declarações em que o presidente Lula da Silva fez referência ao Paraguai invadindo território brasileiro para argumentar a necessidade de fortalecer o orçamento militar brasileiro motivaram uma enérgica rejeição da agrupação.
Em seu comunicado, o Frente Guasu expressou:
"Desde o Frente Guasu expressamos nosso repúdio às declarações do presidente da República Federativa do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, em relação à Guerra da Tríplice Aliança, uma das maiores tragédias humanas, políticas e demográficas da história da América Latina, na qual o Paraguai perdeu entre 60% e 70% de sua população como consequência da guerra deixando sequelas sociais, econômicas e culturais que marcam e marcaram o desenvolvimento nacional durante gerações".
Reivindicação por trofeus de guerra
A agrupação de esquerda também dirigiu uma censura ao Governo paraguaio e às autoridades diplomáticas por não responderem e defenderem adequadamente a memória histórica do povo paraguaio. Considerou que as declarações de Lula constituem um agravo à memória histórica paraguaia e reclamou ao Estado brasileiro a devolução dos trofeus de guerra que permanecem naquele país.
O pronunciamento assinala:
"Nosso Estado deve defender sua memória histórica e exigir a devolução de todos os trofeus de guerra que ainda permanecem no Brasil, assim como também deve rejeitar converter-se em um enclave político, militar ou estratégico".
O Frente Guasu reafirmou sua convicção de que o futuro da região deve construir-se sobre a unidade dos povos latino-americanos, a integração soberana, o respeito mútuo e a reciprocidade entre nações irmãs, rejeitando toda forma de ingerência ou dominação estrangeira.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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