EUA habilitam até 100 mil toneladas mensais durante três meses, a partir de setembro
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou esta quarta-feira uma proclamação que amplia temporariamente o volume de carne bovina magra que poderá ingressar no mercado estadunidense sob condições tarifárias mais favoráveis. A medida terá duração de 90 dias e permitirá importar até 100 mil toneladas mensais adicionais, o que representa um potencial máximo de 300 mil toneladas durante o período.
De acordo com as informações oficiais publicadas pela Casa Branca, a ampliação começará a vigorar no próximo 1º de setembro e estará dirigida exclusivamente a cortes magros de carne bovina utilizados para combinar com carne estadunidense na elaboração de carne moída. A administração busca, por meio desta ferramenta, ampliar a oferta interna e conter os preços ao consumidor.
A Casa Branca explicou que a proclamação amplia temporariamente o volume disponível dentro do regime tarifário de cota, permitindo que os parceiros comerciais habilitados para exportar carne bovina para os Estados Unidos possam acessar taxas tarifárias mais reduzidas. Além disso, o Governo estadunidense assinalou que pretende incentivar que a carne ingressada por meio deste mecanismo seja comercializada com um desconto de aproximadamente 25% em relação aos preços correntes de importação.
Contudo, a decisão incorpora algumas exceções relevantes. A proclamação não modifica os compromissos comerciais existentes com países que contam com acordos de livre comércio com os Estados Unidos e tampouco alcança aqueles mercados que já possuem cotas específicas atribuídas para o ingresso de carne bovina.
A administração Trump fundamentou a decisão nas atuais restrições de oferta que atravessa o mercado estadunidense. Segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), a produção de carne bovina do país se reduziria cerca de 4% em 2026 ante os níveis registrados durante 2025. A isto se soma um cenário de elevada demanda interna.
Entre os fatores que estão limitando a disponibilidade de gado, a Casa Branca mencionou as restrições ao ingresso de animais vivos do México para evitar a propagação da mosca-da-vareta do Novo Mundo, as condições de seca em regiões pecuárias e uma menor disponibilidade de alimentos e forragens como consequência de incêndios. Segundo o Governo, o fechamento de passagens fronteiriças com o México provocou uma perda equivalente a centenas de milhares de toneladas de carne que potencialmente poderiam ter sido produzidas dentro dos Estados Unidos.
Os Estados Unidos continuam sendo o maior consumidor mundial de carne bovina em termos de volume e ocupam o segundo lugar global em consumo per capita. Diante deste cenário, a Casa Branca assegurou que a ampliação temporária das importações poderia elevar aproximadamente 10% a disponibilidade de carne em relação às projeções atuais.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do AgroRural Paraguay.
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