Estratégias de conservação para proteger o yaguareté no Paraguai
Um patrimônio natural que requer proteção
O yaguareté, um dos animais mais representativos do patrimônio natural paraguaio, enfrenta desafios significativos para sua conservação. A última estimação nacional disponível, correspondente a 2017, situava sua população no Paraguai entre 600 e 800 exemplares. Quase uma década depois, este número permanece sem atualização, o que impede contar com dados precisos sobre a quantidade de exemplares que atualmente vivem em liberdade e como evoluiu sua população durante estes anos.
O Chaco paraguaio conserva extensões de bosque fundamentais para a permanência do yaguareté em estado silvestre. Rolando de Barros, titular do Ministério do Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Mades), destacou que
"o Paraguai ainda conserva importantes extensões de bosques, principalmente no Chaco, que representam uma oportunidade para assegurar a sobrevivência do yaguareté".
Enquanto o Chaco se mantém como o principal refúgio da espécie, na região Oriental sua presença é consideravelmente menor. Contudo, ainda existem registros de exemplares silvestres em remanescentes da Floresta Atlântica do Alto Paraná, refletindo as dificuldades que enfrenta o yaguareté para conservar seus territórios em um país onde a transformação da paisagem reduz progressivamente seus espaços naturais.
Múltiplos fatores de risco
A sobrevivência do yaguareté é afetada por diversos fatores. De Barros assinalou que
"a fragmentação dos bosques, a caça ilegal, a diminuição de suas presas naturais e os conflitos com as atividades pecuárias são fatores que afetam diretamente a sobrevivência do yaguareté".
A redução de habitat e os conflitos com a produção pecuária representam desafios-chave para a conservação deste felino, fundamental para o equilíbrio dos ecossistemas regionais.
Projeto Ñande Chaco: ações coordenadas
Diante desta situação, o Mades impulsiona o projeto Ñande Chaco, com ações desenvolvidas na Reserva da Biosfera do Chaco, que abrange mais de 4,7 milhões de hectares entre Alto Paraguai e Boquerón. As iniciativas se orientam para a proteção de áreas naturais, a conservação de corredores biológicos e a promoção da convivência com as comunidades.
O ministro explicou que estas ações incluem a proteção de habitats, o monitoramento contínuo da espécie e a conservação de corredores biológicos que permitem conectar suas populações. Este trabalho é desenvolvido de forma coordenada com outras instituições, entre elas as entidades binacionais Itaipu e Yacyretá.
De Barros enfatizou que
"o yaguareté não deve ser visto como um inimigo da produção, mas como parte da riqueza natural que temos a responsabilidade de proteger".
Regulação legal e monitoramento
O Paraguai conta com a Lei nº 5302/2014 "De conservación del yaguareté", que estabelece o marco legal para proteger a espécie. O ministro recordou o resgate de um filhote realizado em Concepción em agosto de 2025, ante indícios de um possível caso de tráfico ilegal, e enfatizou que qualquer ação contra estes animais deve ser investigada e sancionada conforme à legislação vigente.
Santiago Molina, coordenador do Centro de Investigação de Animais Silvestres de Itaipu (CIASI), indicou que o tráfico ilegal do yaguareté se concentra principalmente na comercialização de partes de seu corpo, como dentes e peles, mais do que na captura e venda de exemplares vivos. Existe um mercado ilegal destes produtos que representa uma ameaça adicional para a conservação da espécie.
O Mades realiza monitoramentos por meio de câmeras trap em áreas protegidas para registrar a presença de exemplares e seus movimentos. Estes avanços representam ferramentas fundamentais para compreender melhor a dinâmica populacional e os padrões de deslocamento do yaguareté, contribuindo para o aprimoramento das estratégias de conservação.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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