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Internacional

"Estamos ficando sem oxigênio e há pacientes que podem morrer": a situação crítica dos hospitais na Bolívia por causa dos protestos e bloqueios de estradas

Após um mês de manifestações contra o governo de Rodrigo Paz, profissionais de saúde relatam falta de medicamentos e pelo menos quatro mortes

29/05/2026 10:45 3 min lectura 10 visualizações
"Nos estamos quedando sin oxígeno y hay pacientes que pueden morir": la crítica situación de los hospitales en Bolivia a causa de las protestas y bloqueos de carreteras

"Sinto impotência diante do que está acontecendo, não sabemos o que fazer", diz o presidente do Colégio Médico Departamental de La Paz, Luis Larrea, quando se completa um mês do início dos protestos e dos bloqueios de estradas na Bolívia, liderados por opositores ao governo de Rodrigo Paz.

Grupos de manifestantes bloquearam o acesso a algumas das principais cidades do país, provocando escassez de produtos básicos como alimentos, combustível e medicamentos.

"Estamos ficando sem oxigênio, temos pacientes neonatos, pacientes intubados, pessoas idosas que podem morrer", disse Larrea em diálogo com a BBC Mundo de La Paz.

O médico garantiu que até agora foram registradas quatro mortes de pacientes que não conseguiram chegar aos hospitais para receber atendimento de emergência.

"Morreram dentro de ambulâncias porque não os deixaram passar aos centros de saúde", apontou.

A Defensoria do Povo confirmou que uma das vítimas mortais é uma criança de 12 anos que apresentava um quadro séptico no abdômen. "Infelizmente quando já estava a caminho de Oruro, a criança faleceu", disse Jackeline Alarcón del Río, delegada do organismo no Departamento de Potosí.

Nesta quinta-feira, centenas de trabalhadores da saúde saíram às ruas para pedir aos manifestantes que façam uma "pausa humanitária" para que se permita a passagem de caminhões que estão retidos nas estradas.

"Para os pacientes, oxigênio e comida!", gritavam enquanto caminhavam pela rua carregando cartazes.

"Temos pacientes em terapia intensiva que podem ficar sem oxigênio a qualquer momento", alertou Larrea.

"Com cinco minutos sem oxigênio ocorre morte cerebral", apontou.

Desde os primeiros dias de maio, organizações de comunidades indígenas, trabalhadores, campesinos e transportistas demandam uma solução para a crise econômica pela qual passa o país e uma mudança de rumo no governo.

Os protestos refletem também um profundo descontentamento com Rodrigo Paz entre aqueles que votaram no presidente, mas que sentem que em seu primeiro período de mandato ele não está respondendo às suas demandas.

O Departamento de Estado dos Estados Unidos qualificou os protestos como "ações destinadas a desestabilizar o governo democraticamente eleito", enquanto o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, descreveu a situação como uma "insurreição popular".

Paz garante que tentou promover o diálogo, mas advertiu que está disposto a declarar um estado de emergência para restabelecer a ordem.

Com apenas seis meses no poder, o presidente direitista denunciou uma tentativa de alterar a ordem democrática impulsionada pelo ex-presidente socialista Evo Morales, foragido da justiça por um caso de presumida exploração sexual de uma menor.

Morales nega as acusações e aponta que o país deveria celebrar novas eleições em 90 dias.

O Congresso eliminou na terça-feira uma norma que exigia ao presidente a aprovação parlamentar para declarar um estado de exceção com o desdobramento de militares nas ruas e restrição das liberdades de reunião e movimento.

O Defensor do Povo da Bolívia, Pedro Callisaya, convocou de forma urgente as partes em conflito a instalar um diálogo "sem condições" para frear a escalada de violência e superar a crise social marcada por bloqueios, desabastecimento e escassez de combustível.

"Estamos à beira de um precipício", afirmou recentemente Callisaya.

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.

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